Profissionais que atuam na rede pública de Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, denunciam cortes abruptos nos pagamentos e redução de equipes em unidades de saúde locais. De acordo com os relatos, as alterações foram informadas durante a semana sem qualquer negociação prévia, gerando apreensão sobre o impacto no atendimento à população.
Aviso por aplicativo e redução nos plantões
Uma médica, que preferiu não ter a identidade revelada, relatou que foi informada sobre os cortes por meio de mensagens de texto. Segundo a categoria, a redução nos valores chega a 20% no novo Hospital Municipal Universitário e a 17% no Hospital Materno Infantil. Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também registraram alterações nas tabelas de plantão.
Em uma carta de repúdio, os profissionais destacam que o corte de 17% pode incidir inclusive sobre plantões já cumpridos. O documento foi disseminado em grupos de WhatsApp e redes sociais para mobilizar autoridades e a imprensa regional.
Impacto nas escalas e equipes médicas
Além das perdas salariais, os relatos apontam alterações drásticas nas escalas de atendimento. Uma UPA teria ficado sem plantão de pediatria, enquanto o Hospital Materno Infantil suspendeu a escala de radiologia. Há também denúncias de desligamentos de enfermeiros e técnicos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A categoria recorreu ao Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) e ao Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego). O sindicato informou que o caso foi repassado à diretoria regional para avaliação conjunta dos próximos passos.
Valores praticados na rede pública
O modelo de contratação ocorre por meio de terceirização via pessoa jurídica, o que, segundo os profissionais, abre margem para instabilidades. Com os cortes, os valores repassados aos clínicos sofreram quedas expressivas, atingindo também especialistas como anestesistas e cardiologistas.
A Prefeitura de Rio Verde ainda não se posicionou oficialmente sobre os motivos e o alcance das medidas adotadas na rede municipal de saúde.