O Rio Meia Ponte atingiu o nível de alerta por criticidade hídrica no ponto de monitoramento situado a montante da captação de água na capital de Goiás. A determinação foi oficializada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) por meio da Portaria nº 249, publicada no Diário Oficial do Estado. O registro indicou uma vazão de 6.570 litros por segundo em 9 de outubro, considerando a média móvel de sete dias acima de 5.500 litros por segundo pelo terceiro dia consecutivo.
Situação dos mananciais e monitoramento
De acordo com o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrográficas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, a média móvel havia alcançado cerca de 5 mil litros por segundo no fechamento mais recente citado por ele, com uma vazão diária de 4.283 litros por segundo. A expectativa inicial era de recuperação com as precipitações. “Devido às chuvas de ontem (quarta-feira, 14) ele vai aumentar”, afirmou Amorim, pontuando que o cenário passa por reavaliações diárias.
O especialista ressalta que o comportamento do manancial permanece atrelado à constância das precipitações, uma vez que o período chuvoso ainda não se consolidou de maneira definitiva. “Basta a chuva dar uma paradinha, ele começa a cair um pouco”, declarou. Apesar disso, o balanço atual aponta um cenário superior ao do mesmo período do ano anterior, quando a vazão marcava aproximadamente 3 mil litros por segundo. “Esse ano a gente conseguiu, assim, no geral, ele está melhor que o do ano passado”, avaliou, reforçando a necessidade de conservação conjunta: “Cada ano que passa eles vão entendendo que a bacia é uma bacia crítica. Então ela precisa de um cuidado melhor. Não é só o Estado cuidar, é todos cuidarem, porque todo mundo usufriu” e reiterando que “Mas a população tem que fazer a sua parte, preservar os recursos hídricos e fazer o uso racional da água”.
Garantia no fornecimento de água
Em meio às variações do manancial, a Saneago garantiu que o fornecimento de água em Goiânia permanece dentro da normalidade. A estrutura de atendimento da capital é sustentada por três sistemas produtores que utilizam o Meia Ponte e o Ribeirão João Leite, cuja água fica armazenada na represa do Sistema Mauro Borges. Atualmente, 64% da demanda local é suprida pelo Ribeirão João Leite e 36% pelo Rio Meia Ponte.
Segurança hídrica e infraestrutura
O volume acumulado na barragem do Ribeirão João Leite atinge 83% da capacidade total de 129 milhões de metros cúbicos. Para assegurar a estabilidade operacional, os sistemas contam com interligações estratégicas, como a adutora de integração, capaz de injetar até 800 litros por segundo do João Leite para reforçar o Sistema Meia Ponte. Outro recurso é a Conexão Cristina, inaugurada no ano anterior, com capacidade de operação de até 2.124 litros por segundo para flexibilizar a distribuição.
A classificação do rio compreende seis faixas de vazão: atenção (até 12 mil litros por segundo), alerta (até 9 mil litros por segundo) e quatro patamares críticos (5.500, 4.000, 3.000 e 2.000 litros por segundo). No atual patamar de alerta, a Semad aponta que a portaria representou uma evolução em relação ao nível crítico anterior, desencadeando ações como campanhas educativas, fiscalização e diálogos com prefeituras e produtores rurais, enquanto a Saneago reforça o apelo pelo consumo consciente até a estabilização definitiva do regime de chuvas.