Família de Pirenópolis mantém tecelagem tradicional viva há cinco gerações

A arte da tecelagem artesanal segue pulsando em Pirenópolis, no interior de Goiás, graças ao esforço contínuo de uma família que preserva esse ofício há cinco gerações. Aos 47 anos, a tecelã Celina Alvarenga teve o primeiro contato com a atividade quando tinha apenas 10 anos, absorvendo os ensinamentos da mãe e da avó. Atualmente, o trabalho é realizado em conjunto com o pai e as irmãs, atendendo tanto a clientes particulares quanto a empreendimentos hoteleiros da região.

Divisão de tarefas e fabricação de teares

O grupo familiar é composto por quatro membros atuantes na produção: Celina, seu pai e as irmãs Celentina e Celene. Cada um deles desenvolve preferências por artigos específicos. Enquanto o patriarca concentra seus esforços na confecção de tapetes, Celentina produz tecidos e capas de almofadas coloridas, e Celene se dedica a colchas de casal e peças utilizando a técnica de repasso, que forma desenhos exclusivos no tecido.

Ao todo, a família opera nove equipamentos espalhados pela cidade e pela zona rural. O diferencial é que a própria família constrói grande parte das estruturas. O pai de Celina, com bagagem em carpintaria e alpondaria, aprendeu a arte de fabricar teares com seu próprio genitor e já construiu seis das máquinas utilizadas atualmente, além de fabricar acessórios essenciais como o liço.

Transição do sustento à comercialização turística

No passado, quando a avó de Celina migrou de Minas Gerais para Goiás em 1942, o ofício tinha como foco principal a subsistência ou a troca por mantimentos e animais. Hoje, a dinâmica mudou e o espaço da família funciona como ateliê e loja, onde moradores e turistas encontram produtos à pronta-entrega ou sob encomenda, com opções de escolha em cores e tamanhos.

A produção abastece hotéis, pousadas e restaurantes locais. Recentemente, o grupo confeccionou centenas de peseiras e capas de almofada para um hotel de charme na cidade. Além das vendas locais, a expertise da família já ultrapassou fronteiras estaduais, como quando Celina passou dois meses em Minas Gerais ensinando técnicas a uma associação, enquanto seu pai e irmão construíam novos teares para o projeto.

O futuro da tradição secular

O segredo para a longevidade do ofício está na transmissão integral do saber, que engloba desde o manejo dos fios até a manutenção e construção das próprias ferramentas de trabalho. Dessa forma, a atividade não fica restrita a uma única pessoa e ganha fôlego para perdurar.

“Sou tecelã desde os 10 anos de idade. É uma tradição de família, eu sou a quinta geração”, afirmou Celina.

Com a chegada das novas integrantes — as três bisnetas do patriarca, que ainda são bebês ou crianças pequenas —, a expectativa é que o legado continue vivo. “A gente tem a esperança que a sexta geração só está adormecida”, declarou Celina.

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