Mais de sete meses após o falecimento da empresária Andreia Vieira Gaspar, que ocorreu em decorrência de intervenções estéticas na capital de Goiás, o cirurgião plástico responsável pelo procedimento prestou esclarecimentos às autoridades policiais nesta sexta-feira (16).
Detalhes do interrogatório policial
O profissional permaneceu por volta de três horas no 4º Distrito Policial (DP) de Goiânia. Conforme o delegado Wladimir Freire, o médico respondeu a todos os questionamentos direcionados a ele, com foco principal nos aspectos técnicos que envolveram a operação realizada na paciente.
O inquérito busca compreender a dinâmica que levou ao óbito e analisar se houve falhas de conduta. O titular do caso detalhou o foco da apuração em andamento:
“Minha busca é o resultado morte. Foi causada por omissão ou pelo tratamento ao qual ela foi submetida? Ou seja, a cirurgia precipitou ou amplificou uma situação prévia, preexistente, e gerou o resultado morte? E esse resultado poderia ter sido previsível ou não? Tenho que dar uma resposta à sociedade e à família sobre se houve culpa no ato que gerou a morte da Andreia”, disse o delegado.
Posicionamento da defesa e investigações futuras
Ao deixar a delegacia, o cirurgião evitou contato com os jornalistas e deixou o local escoltado por seguranças e por seu representante legal. Em comunicado oficial, a defesa manifestou pesar pelo falecimento, garantiu total cooperação com as autoridades e pontuou que os exames pré-operatórios atestavam a aptidão física da paciente, refutando qualquer hipótese de erro ou negligência.
A Polícia Civil já ouviu parentes da vítima, outros profissionais de saúde e o dono da clínica onde ocorreu o atendimento. Agora, o departamento policial aguarda a conclusão da análise pericial decorrente da exumação do corpo, etapa considerada fundamental para o desfecho do caso.
Histórico do procedimento e repercussão
A vítima, de 51 anos, residia na Espanha e retornou ao território brasileiro com o objetivo de realizar múltiplas intervenções cirúrgicas na região facial no Hospital Ankar, na capital goiana, vindo a falecer no dia 12 de agosto, um dia após as operações.
De acordo com o relato formalizado pelos parentes ao Ministério Público, após ser transferida para um quarto comum, a paciente apresentou inchaço na língua e problemas respiratórios durante o período noturno. Os familiares apontam demora no socorro médico e afirmam que o quadro foi inicialmente tratado como nervosismo, antes de a empresária sofrer uma parada cardiorrespiratória na madrugada.