Escala 6×1 atinge quase 15 milhões de trabalhadores formais no Brasil

Um levantamento inédito com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que o Brasil registrava 14,8 milhões de empregos formais sob a escala 6×1 no final de 2025. Esse montante equivalia a 29,9% do total de 49,5 milhões de vínculos com carteira assinada no período, indicando que aproximadamente 3 em cada 10 postos de trabalho formais podem sofrer alterações com a mudança legislativa.

Impacto da nova PEC e setores mais afetados

O Congresso Nacional promulgou a proposta de emenda à Constituição que extingue o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. O volume de postos impactados supera a população de estados como o Paraná. Contudo, a incidência dessa dinâmica varia de forma expressiva conforme o setor econômico, pesando mais sobre atividades turísticas e de serviços.

Em dezembro de 2025, o regime abrangia mais de 50% dos trabalhadores formais em áreas como transporte aéreo e alojamento, enquanto em setores como eletricidade e gás o índice ficava próximo de 10%. As micro e pequenas empresas também apresentavam proporções superiores de vínculos nessa modalidade em relação aos médios e grandes negócios, embora a concentração em termos absolutos estivesse nas companhias maiores.

Mudanças na jornada e transição gradual

A emenda constitucional estabelece a transição para o modelo de cinco dias trabalhados e dois de descanso, sem corte nos salários. Além da escala, o limite máximo de horas semanais passará por reduções progressivas: cairá para 42 horas sessenta dias após a publicação do texto e, posteriormente, para 40 horas após o período de umze meses.

Especialistas apontam que mensurar os reflexos da nova legislação exige cautela devido à diferença entre as horas contratuais e a jornada real cumprida pelos profissionais. A maioria dos empregados com carteira possuía contratos de 41 a 44 horas semanais, mas a parcela que efetivamente cumpria essa carga horária na prática era consideravelmente menor.

Diferença entre contrato e realidade

Dados comparativos indicam que, enquanto grande parte dos vínculos formais previa jornadas elevadas, a maior fatia dos trabalhadores registrava efetivamente uma carga horária semanal menor, situada entre 31 e 40 horas.

“Os efeitos são complexos e heterogêneos. É difícil conseguir homogeneizar uma situação que é bem diferente entre os setores”, afirma o economista Bruno Imaizumi.

O analista também destaca que o impacto nos preços e na oferta de vagas deve variar conforme a estrutura de cada mercado. “Transporte aéreo, por exemplo, é um setor bastante formalizado. Provavelmente, terá mais emprego para compensar as horas trabalhadas a menos e, consequentemente, repasse para os preços. É mais emprego e mais inflação”, acrescenta.

Por fim, a divergência entre a jornada oficial e a rotina laboral real sugere que os reflexos da nova regra sobre a produtividade e o tempo de trabalho podem ser atenuados em diversos segmentos produtivos do país.

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