Pela primeira vez, a Folha de S.Paulo confirmou publicamente que recebeu recursos financeiros do proprietário do Banco Master. O periódico admitiu que o banqueiro pagou R$ 516.441,60 em campanhas publicitárias ao longo de um período de cinco anos, justificando que o montante equivale a “Cerca de 2,58% do total de R$ 20 milhões em pagamentos feitos por Vorcaro ao Metrópoles”.
Conversas revelam bastidores e negociação
A manifestação do jornal ocorreu em resposta a questionamentos sobre mensagens que apontam suposta interferência de Daniel Vorcaro na elaboração de um perfil jornalístico a seu respeito. Por outro lado, a publicação declarou não ter conhecimento sobre o repasse de R$ 1 milhão efetuado pelo dono da instituição financeira ao gestor de crise Guilherme Barros. A quantia teria funcionado como um “prêmio” para adiar e suavizar a matéria.
Os diálogos obtidos indicam que a articulação envolveu diretamente o diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila. Em uma das mensagens trocadas em agosto de 2024, o consultor de imagem afirmou: “A Folha vai segurar a matéria. O Sérgio me respondeu agora”. Na véspera, o banqueiro havia instruído: “Gasta todos seus cartuchos aí, se voce conseguir segurar e nao sair nada vc tem um prêmio de R$ 1mm. Sei que você é guerreiro de toda forma, mas faço isso pra você cobrar favores. Se eles soltam isso agora eles vao quebrar o banco (sic)”.
Impacto financeiro e edição do conteúdo
O período coincidiu com movimentações cruciais para a sobrevivência econômica do Banco Master, incluindo a homologação de um aumento de capital pelo Banco Central e negociações de carteiras de crédito. O próprio empresário pontuou que revelações negativas poderiam derrubar a instituição naquele momento sensível.
Após conversas e um encontro presencial na sede do jornal em São Paulo, o texto final foi veiculado no final de agosto de 2024 trazendo pontos elogiados pelo comando da instituição financeira. Trechos específicos só foram retirados ou modificados após a prisão do executivo, ocorrida em novembro de 2025.
Respostas oficiais e posicionamentos
Em nota oficial, a Folha negou que o texto tenha sido segurado por pressões externas, afirmando que o prazo concedido serviu apenas para que o ex-banqueiro exercesse seu direito de resposta, e sustentou que o leitor é sempre avisado sobre alterações. Já Guilherme Barros declarou que sempre atuou com correção e ética na prestação de serviços de assessoria de imprensa, ressaltando que a publicação manteve total independência editorial.