OpenAI aciona Polícia Federal após ameaças de morte contra Lula

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, notificou a Polícia Federal (PF) sobre comportamentos suspeitos de usuários que utilizaram a plataforma para proferir ameaças contra o presidente Lula (PT). De acordo com os documentos, a empresa identificou indícios de uma “possível emergência com risco de morte ou lesão física grave”, o que motivou o compartilhamento dos diálogos com as autoridades brasileiras.

Detalhes das ameaças e inquéritos em curso

Após receber o material da OpenAI, a PF encaminhou o caso ao Ministério da Justiça para avaliar a abertura de inquéritos voltados a apurar crimes de ameaça e injúria contra o chefe do Executivo. A empresa confirmou que adota protocolos de segurança para alertar autoridades sempre que interações indicam perigo real a terceiros. Além da PF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também foi notificado, seguindo as diretrizes de conformidade eleitoral da companhia.

Um dos casos sob análise envolve um homem que, desde janeiro, mantinha conversas sobre o presidente. Em um dos relatos, ele afirmou estar a 400 metros de um palanque onde Lula realizava campanha, enviando fotos do local e questionando sobre as consequências legais de um atentado. Sobre esse episódio, o alerta da OpenAI descreveu: “Embora o usuário tenha declarado que não agiria e que não possuía uma arma, expressou o desejo de usar um fuzil de precisão, perguntou o que aconteceria se matasse o presidente ou atirasse na cabeça dele, e fez referência a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta”.

Histórico de violência e cooperação internacional

O usuário em questão também demonstrou comportamentos preocupantes em outros momentos, compartilhando imagens de armas brancas, símbolos nazistas e roteiros para a fabricação de explosivos. A Polícia Federal classificou o material como “fantasias violentas” e manifestações de apoio a regimes autoritários. Em resposta a essas violações, a OpenAI encerrou a conta do envolvido e reforçou que o compartilhamento de dados visa “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”.

Inteligência artificial nas eleições

O monitoramento reforça o papel estratégico do Brasil no cenário global de segurança digital. Conforme explicou Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina, o país representa um “grande teste para o uso de inteligência artificial em eleições no mundo e representará um aprendizado para vários pleitos do ano que vem”.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a tecnologia auxilia na prevenção de crimes no país. Em junho, um alerta da OpenAI reportado via FBI ao CyberLab do Ministério da Justiça resultou na prisão de um homem no Espírito Santo que utilizava o ChatGPT para planejar o assassinato do próprio filho.

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