A aliança firmada por Romário Policarpo (Cidadania) com Flávio Bolsonaro (PL) vai muito além da corrida ao Palácio do Planalto, servindo principalmente como uma demonstração clara de independência e força política dentro de sua própria legenda em Goiás.
Divergências com o diretório municipal
Ao caminhar na contramão da cúpula de Goiânia, que declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado estadual eleito impõe sua marca e contesta a legitimidade da escolha tomada na capital goiana.
“Respeito a decisão do diretório metropolitano do Cidadania, mas ela não representa o posicionamento dos filiados do partido”, afirmou Policarpo nesta 4ª feira (14).
Em contrapartida, a nota oficial da sigla na capital, assinada pelo presidente do Diretório Metropolitano, Jones Matos, defende o direito da instância local de definir seus próprios rumos políticos com base nas convicções da militância e no cenário de Goiânia.
Peso nas urnas e capital político
A demonstração de autonomia do parlamentar ganha ainda mais relevância quando analisada sob a ótica de seu desempenho eleitoral recente, onde obteve votação expressiva para garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás.
Ele foi eleito com 55.337 votos, a 6ª maior votação para a Assembleia Legislativa de Goiás, e destacou ter sido o único deputado eleito pelo Cidadania no Brasil, sem recursos do fundo partidário.
Cenário de divisões partidárias
Enquanto o diretório municipal apoia Lula, a direção estadual decidiu pela neutralidade. A aproximação de Policarpo com os conservadores ocorreu após estreitar laços com Gustavo Gayer (PL), aliado de primeira hora a quem apoiou na corrida pelo Senado.
Com o mandato assegurado, Policarpo deixa claro que pretende ditar seu próprio ritmo de atuação pública, aproveitando o momento em que o Cidadania exibe divisões evidentes entre as instâncias municipal e estadual.