A possibilidade de recondução sucessiva aos cargos de chefe do Poder Executivo enfrenta resistência da maior parte da população brasileira. Um levantamento recente do Datafolha aponta que 51% dos eleitores se posicionam de forma contrária à reeleição de governadores e presidentes da República, enquanto 46% são favoráveis à continuidade do mecanismo.
Divisão de preferências sobre o tempo de mandato
Embora a fatia contrária à reeleição lidere numericamente, as visões sobre como estruturar a duração dos mandatos no Brasil apresentam variações consideráveis entre os cidadãos:
O modelo vigente — que prevê quatro anos de gestão com direito a mais quatro em caso de vitória nas urnas — conta com o suporte de 46% da população. Por outro lado, 30% defendem a permanência do período de quatro anos, mas vetando qualquer possibilidade de reeleição imediata. Outro grupo, formado por 21% dos participantes, prefere a fixação de um mandato único estendido para cinco anos. Apenas 2% declararam não saber opinar.
Impacto na corrida presidencial e divisão partidária
A discussão ganhou forte visibilidade no debate público nacional em meio à campanha eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL), postulante ao Palácio do Planalto, passou a defender abertamente o encerramento do instituto da reeleição no âmbito do Executivo, declarando apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso que trata da matéria.
O recorte do levantamento evidencia uma polarização nítida sobre o tema entre as bases dos dois candidatos que disputam a Presidência:
Comportamento das bases de Lula e Flávio Bolsonaro
Entre os eleitores alinhados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a maioria expressiva de 59% prefere manter o sistema atual de quatro anos com oportunidade de renovação consecutiva.
Já no eleitorado de Flávio Bolsonaro, a aversão ao formato em vigor é majoritária: apenas 37% aprovam a regra vigente. A maioria dos apoiadores do candidato liberal se divide entre o mandato único de quatro anos (34%) e a fórmula de cinco anos sem reeleição (27%), somando 61% favoráveis à proibição de mandatos em sequência.
Dados metodológicos da pesquisa
O estudo foi conduzido por meio de abordagens presenciais com 2.520 entrevistados a partir dos 16 anos de idade, nos dias 13 e 14 de outubro. O índice de confiança é de 95%, apresentando margem de erro calculada em dois pontos percentuais para mais ou para menos. O protocolo de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-00466/2026.