Em 1889, a viagem de freiras dominicanas francesas da Europa até a antiga capital de Goiás exigia uma jornada árdua que combinava travessia oceânica, trens e semanas em lombo de mulas pelo sertão brasileiro. A iniciativa foi articulada por Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leon, que desejava estabelecer uma escola para meninas na região.
A preparação e a longa rota pelo interior
O grupo que partiu rumo ao destino final era composto por oito religiosas francesas, sendo quatro vindas diretamente da França e outras quatro que já atuavam em Uberaba. O trajeto incluiu navio até o Rio de Janeiro, ferrovias e uma expedição de 120 léguas com cerca de trinta mulas carregadas de mantimentos e livros, sob a liderança do padre Gallais.
Recepção festiva e fundação do Colégio Sant’Ana
Após quatro semanas de marcha, a comitiva foi recebida com bandas de música e fogos de artifício na manhã de 5 de setembro de 1889. Menos de um mês depois, em 1º de outubro daquele ano, a instituição começou a funcionar com cinco alunas internas, cem externas e uma classe gratuita.
O impacto na educação goiana
Embora a escola não eliminasse as desigualdades de uma sociedade recém-saída da escravidão, a presença das dominicanas abriu novas oportunidades de instrução para as crianças e marcou de forma definitiva a história da educação feminina em Goiás.
A adaptação envolveu superar barreiras idiomáticas, o calor e as diferenças culturais, transformando uma arriscada missão transcontinental em um projeto educacional duradouro.