Flávio Bolsonaro ajusta estratégia contra Lula na reta final

Com o segundo turno das eleições presidenciais marcado para 25 de outubro, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu reformular suas ações para a última semana de corrida eleitoral. A estratégia agora foca em intensificar agendas de rua e elevar o tom dos ataques diretos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando retomar o protagonismo na disputa.

Alerta ligado após empate técnico nas pesquisas

A necessidade de mudança ocorre após levantamentos indicarem uma disputa acirrada. No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Contudo, pesquisas recentes acenderam o sinal de alerta entre os aliados.

O Datafolha divulgado em 15 de outubro mostrou o senador com 47% das intenções de voto e o petista com 45%, após o candidato do PL oscilar dois pontos para baixo. Já o levantamento da Quaest, publicado no dia 14, apontou 46% a 44% a favor do parlamentar. Em votos válidos, ambos os institutos registraram 51% a 49%, o que configura empate técnico dentro da margem de erro.

Diante desse cenário, interlocutores da campanha alertaram contra o clima de otimismo precoce e pediram o fim de discussões antecipadas sobre formação de ministérios, priorizando exclusivamente o convencimento do eleitorado.

Roteiro de viagens pelo Norte e Nordeste

A mobilização de rua prevê um grande ato no domingo (18/10) na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O objetivo é demonstrar força popular no mesmo espaço ocupado pelo PT na semana anterior.

A partir de segunda-feira (19/10), o candidato do PL cumprirá compromissos em cidades estratégicas do Norte e Nordeste, com passagens previstas por Manaus, Marabá, Aracaju, São Luís, Recife e Fortaleza. As agendas finais devem ocorrer em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. A intenção é reduzir a vantagem petista em locais onde Lula liderou no primeiro turno, como no Amazonas, onde o petista teve 48,23% frente a 45% do senador.

Para ampliar o alcance, o candidato a vice, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), atuará fortemente no Nordeste com foco no discurso de combate à violência. Ao mesmo tempo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) liderarão atos públicos em regiões onde o presidenciável não estará presente.

Reação às pautas econômicas e sociais do governo

Interlocutores do PL avaliaram que a campanha vinha atuando excessivamente na defensiva, gastando energia para responder a acusações de cortes em programas sociais. A equipe petista ganhou terreno ao pautar discussões de grande apelo, como o fim da jornada 6×1 — proposta que Flávio acabou votando a favor no Senado após resistências iniciais.

Lula também avançou sobre o debate ao prometer gratuidade no transporte coletivo aos finais de semana e feriados a partir de 2027, além de defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos, de 18 para 16 anos. As movimentações ainda não tinham sido captadas pelas últimas sondagens de opinião.

Preparação e estratégias para os debates

Flávio confirmou que estará no debate da Band neste domingo (18/10), revertendo a decisão inicial de não comparecer para evitar deixar o oponente sem confronto. Há também a previsão de presença no debate da TV Globo, marcado para 23 de outubro.

Nos confrontos diretos, a campanha do PL planeja cobrar o histórico dos governos petistas na área de segurança pública e questionar o posicionamento tardio de Lula sobre a maioridade penal. A ofensiva incluirá ainda o tema da inflação de alimentos e críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Orientações e bastidores

Para se preparar, o senador foi treinado para rebater questionamentos sobre o financiamento de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a cinebiografia Dark Horse. Flávio também realizou visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Durante os encontros, o ex-mandatário orientou o filho a priorizar as contradições do governo federal e a moderar o tom durante os debates televisivos.

A legislação eleitoral estabelece que comícios e propagandas pagas na internet se encerram na quinta-feira (22/10). A propaganda em rádio e televisão termina na sexta-feira (23/10), enquanto carreatas e distribuição de material gráfico podem ocorrer até as 22h de sábado (24/10), véspera da votação definitiva.

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