Milhares de pessoas se reuniram na tarde deste domingo (18/10) no Posto 5 da praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para acompanhar o Ato Musical pela Democracia. Organizada pelo cantor Caetano Veloso em parceria com o movimento 342 Artes, a mobilização teve início por volta das 16h e reuniu um grande elenco da música nacional.
Restrições e cuidados com a legislação eleitoral
Para cumprir as normas da Justiça Eleitoral e evitar infrações legais, a produção do evento estabeleceu regras rígidas. Os participantes e artistas receberam orientações para não utilizarem vestimentas vermelhas, adesivos de campanha ou pedidos diretos de votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas proximidades do trio elétrico e na área restrita da organização, o acesso de pessoas com adereços ou camisas vermelhas foi rigorosamente barrado.
O line-up do evento contou com nomes de peso da cultura brasileira, como Djavan, Marina Sena, Chico César, João Bosco, Frejat, Fernanda Abreu, Ivan Lins, Duda Beat, Xamã, Jorge Vercillo, entre outros. Moradores e turistas também acompanharam as apresentações musicais das sacadas de prédios e hotéis da orla.
Discursos e memória da ditadura
Durante a programação, Caetano Veloso interpretou a canção “Gente” e aproveitou a ocasião para resgatar episódios de seu passado durante o regime autoritário no país.
“Durante a Ditadura Militar, eu fui preso, fiquei em uma solitária, assim como colegas meus também: Gilberto Gil, Geraldinho Azevedo, várias figuras da cultura brasileira sofreram isso. Nós estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa. A juventude é importantíssima nesse momento da nossa história, que a juventude se sinta representando a história brasileira”, afirmou.
Ação judicial do Partido Novo
A mobilização artística na capital fluminense enfrentou resistência jurídica antes mesmo de ocorrer. No sábado (17/10), o Partido Novo protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de suspender o evento.
Exigências da sigla na Justiça
Na representação apresentada à corte eleitoral, a legenda argumentou que a concentração configurava um showmício, prática proibida pela legislação vigente no período. O partido requereu não apenas a interrupção imediata das apresentações artísticas, mas também a apresentação de uma prestação de contas detalhada, abrangendo contratos firmados, fontes de financiamento, despesas com publicidade e os valores pagos em cachês aos músicos.
Manifestações estudantis e apoio a Lula
Paralelamente ao ato em Copacabana, estudantes e integrantes de movimentos sociais ocuparam a região da Candelária, no centro carioca, também neste domingo (18/10). A caminhada integrou uma série de atos realizados em capitais como Brasília, Salvador, Porto Alegre e Belo Horizonte em prol da reeleição de Lula.
O evento no centro do Rio contou com a participação do cantor Chico Buarque, que conversou com manifestantes, posou para fotografias e proferiu um discurso em cima do trio elétrico em favor da candidatura presidencial.