Lula e Flávio trocam acusações sobre familiares em debate eleitoral

O debate presidencial da Band realizado neste domingo (18/10) foi marcado por um intenso confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Palácio do Planalto. Os dois políticos trocaram duras acusações envolvendo o paradeiro de seus respectivos familiares que atualmente residem no exterior.

Cobrança sobre Lulinha na Espanha

Durante o encontro, o filho mais velho de Jair Bolsonaro questionou a atuação das autoridades em relação ao primogênito do atual chefe do Executivo e exigiu providências da Polícia Federal. “É importante falar que na frente das câmeras você fala que você, né, todo mundo tem que ser investigado, mas a Polícia Federal até agora não foi atrás do seu filho. Por que que ele tá fugindo lá na Espanha? Por que que ele não tá aqui?”, afirmou o senador.

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, mora na Espanha com a esposa e os dois filhos desde 2025. Ele é alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal que investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência, examinando possíveis laços com a lobista Roberta Luchsinger em negociações privadas com órgãos públicos, embora as suspeitas não signifiquem culpa comprovada.

Acusações contra Eduardo Bolsonaro nos EUA

Em sua resposta, o presidente da República direcionou as críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do seu adversário político, que está radicado nos Estados Unidos. Lula acusou o parlamentar de articular ações contra o país e de solicitar interferência do presidente norte-americano, Donald Trump, nos assuntos brasileiros.

“O seu irmão está fugindo nos Estados Unidos…O seu irmão está fugindo nos Estados Unidos tramando contra o Brasil! Tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil!”, declarou o petista, acrescentando que a conduta configura traição à pátria: “Na verdade, o que vocês estão fazendo é trair a pátria. E vocês serão julgados por isso”.

Situação legal de Eduardo no exterior

Eduardo Bolsonaro vive em solo norte-americano desde fevereiro de 2025 e obteve o green card em julho deste ano, documento que garante residência permanente para ele, sua esposa e seus filhos. A autorização permite moradia e trabalho legal por tempo indeterminado, mas não anula eventuais determinações da Justiça brasileira ou impede um futuro processo de extradição.

O ex-deputado foi condenado em junho pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, sob a acusação de tentar pressionar autoridades dos Estados Unidos para interferir na condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. Com a rejeição de um recurso pela Corte em setembro, a condenação foi mantida, incluindo a inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena, enquanto o aliado do bolsonarismo alega ser vítima de perseguição política.

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