Em declarações que contradizem a versão do Palácio do Planalto, a empresária Roberta Luchsinger afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mantinha uma rotina frequente de encontros com integrantes do primeiro escalão do governo federal. Segundo ela, as conversas ocorriam semanalmente e tratavam de diferentes temas ligados à administração pública.
Intermediação de pautas e encontros na Esplanada
A empresária, apontada como amiga próxima de Lulinha, declarou que o filho do presidente chegou a viajar para o Ceará com o objetivo de visitar a residência do ex-ministro da Educação Camilo Santana. Entre as discussões acompanhadas por ele, estariam tratativas sobre a regulamentação e venda de produtos à base de canabidiol, setor em que Roberta afirma ter atuado.
De acordo com o relato, autoridades procuravam a dupla para destravar projetos e obter audiências com o chefe do Executivo diante da dificuldade de diálogo direto. Foram citados nomes como o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o titular das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, e o ex-secretário-executivo da Saúde Swedenberger Barbosa. Roberta declarou que os pedidos envolviam desde articulação de agendas até auxílio financeiro, mas assegurou não ter recebido pagamentos pelas pontes realizadas.
Apuração da PF e reação política
As afirmações surgiram após atritos públicos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a classificou como “pilantra” e estabeleceu comparações com o empresário Daniel Vorcaro. Tanto Luchsinger quanto Lulinha estão sob a mira da Polícia Federal em apurações que apuram suposto tráfico de influência conexo a irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O que dizem os citados
Diante das acusações, os envolvidos contestaram as versões apresentadas:
Por meio de nota oficial, Camilo Santana declarou que jamais tratou de pautas institucionais ou de interesse privado com o filho do petista. A defesa jurídica de Lulinha ressaltou que sua relação com figuras públicas sempre teve caráter estritamente pessoal, sem qualquer desvio ético ou legal. Já o presidente Lula afirmou não ter conhecimento dos episódios narrados e questionou a divulgação dos relatos durante a corrida eleitoral. Até o momento, os fatos apresentados não tiveram comprovação documental confirmada.