O atacante Richarlison protocolou um pedido para que a Polícia Federal apure a suposta participação do senador Flávio Bolsonaro na disputa judicial por uma mansão situada em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. De acordo com o atleta, a propriedade foi subtraída por meio de artifícios jurídicos questionáveis.
Disputa por imóvel de alto padrão
A controvérsia em torno do casarão, que conta com cachoeira própria e proximidade com o aeroporto local, teve início em 2020. O jogador e seus parceiros comerciais realizaram tratativas para adquirir o bem, mas enfrentaram uma reviravolta em 2022 com um mandado de reintegração de posse emitido em favor da empresa M Locadora, representada por um advogado ligado a Willer Tomaz.
A companhia argumentou possuir direitos históricos sobre o terreno desde os anos 1980. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e instâncias superiores decidiram em favor dos representados por Tomaz, concluindo os processos judiciais.
Declarações do jogador nas redes sociais
Por meio de um vídeo publicado em suas contas digitais, o atleta relatou que, após adquirir a propriedade, recebeu propostas de compra, inclusive do parlamentar. “Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça.”
O jogador também mencionou o investimento financeiro realizado no local. “A gente estava resolvendo a papelada na Justiça e falaram que demorava meses ou até anos. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse. A Justiça falhou”, declarou, acrescentando que gastou cerca de R$ 10 milhões sem obter qualquer reembolso, valor que pretendia parcialmente destinar a um hospital em Nova Venécia, sua cidade natal.
Posicionamento dos citados
Registros da Justiça do Rio de Janeiro apontam que o processo foi encerrado sem julgamento de mérito em outubro de 2025, devido à renúncia de partes ligadas ao jogador, resultando no arquivamento definitivo em janeiro de 2026.
Em ocasiões anteriores, Flávio Bolsonaro rejeitou a existência de irregularidades em sua conduta, declarando possuir apenas laços de amizade com Willer Tomaz. Por sua vez, o empresário afirmou ter comprado legalmente os direitos sobre a área e investido R$ 5 milhões para sanar débitos fiscais, classificando os antigos ocupantes como invasores. A assessoria do senador foi contatada, mas não retornou aos questionamentos.