Plano de Flávio Bolsonaro propõe transição de dois anos no Bolsa Família

Um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) pretende implementar um período de dois anos de transição no Bolsa Família para incentivar a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal ou o empreendedorismo. A declaração foi dada nesta segunda-feira (19/10) por Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha.

Regras de transição e retorno ao programa

De acordo com a equipe econômica, a medida busca dar autonomia financeira às famílias brasileiras, oferecendo segurança durante o processo de adaptação. Caso o beneficiário não consiga se sustentar de forma independente após conseguir um emprego ou abrir um negócio, a proposta garante a volta automática ao programa social.

“Quem está no Bolsa Família, vai ter uma regra de transição de dois anos para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada com uma regra de transição por dois anos, e um retorno automático caso dê errado”, disse Daniella em entrevista à rádio CBN da Bahia.

A economista também ressaltou que a assistência serve como ponto de partida para o desenvolvimento social. “O Bolsa Família é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, acrescentou.

Paralelo com o atual modelo federal

Atualmente, a gestão do presidente Lula (PT) adota a chamada Regra de Proteção. O mecanismo permite que famílias cuja renda per capita ultrapasse o limite inicial de R$ 218 continuem recebendo 50% do valor do benefício por um período de até 18 meses, desde que a renda por pessoa não supere R$ 706.

Em nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome pontuou que o objetivo é evitar cortes abruptos. A pasta reforça que a superação da vulnerabilidade social é gradual e demanda tempo de estabilização financeira.

Ministério da Prosperidade e renegociação de dívidas

A campanha governista também planeja instituir o “Ministério da Prosperidade”, contando com a colaboração de instituições financeiras estatais para fomentar o crédito aos pequenos empreendedores.

“Por isso ele vai criar o Ministério da Prosperidade, e esse ministério vai ser focado em colocar o brasileiro para crescer junto com o Brasil. A Caixa [Econômica Federal] vai ser o grande braço de apoio para isso, assim como o Banco do Nordeste, para ser o banco do pequeno empreendedor, para oferecer crédito”, explicou a ex-presidente da Caixa.

Como medida de alívio financeiro, a estratégia prevê carência de até seis meses para pessoas físicas reestruturarem débitos, e de até 12 meses para micro e pequenas empresas. O tema também foi abordado pelo candidato do Partido Liberal durante o debate da Band realizado no domingo (18/10).

“No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E o que vai acontecer com isso? Vai ser já por um valor muito menor. Quando eu começar a ser presidente da República, a taxa de juros vai começar já a cair de uma forma muito rápida”, declarou o candidato.

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