Um coletivo acionou o Ministério Público Federal para apurar o processo que garantiu ao senador Flávio Bolsonaro o direito de ocupação de um casarão de alto padrão no litoral fluminense. A propriedade, situada próxima a um aeroporto e equipada com cachoeira particular, era anteriormente utilizada pelos familiares do jogador de futebol Richarlison.
Representação aponta uso da máquina pública
O documento protocolado pelo grupo Derrubando Muros argumenta que a situação envolve patrimônio público federal e levanta suspeitas de advocacia administrativa, configurando o uso de prerrogativas estatais para obtenção de vantagens particulares. “Não é uma mera disputa entre entes privados. Trata-se de patrimônio da União. É de todos os brasileiros”, afirma José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros.
De acordo com a denúncia, o coletivo ressalta que a medida não busca defender interesses de nenhum dos lados da disputa jurídica ou devolver a posse a um indivíduo específico.
O histórico da disputa pelo terreno
O embate judicial em torno do imóvel arrasta-se desde 2020. O atleta e seus parceiros comerciais investiram cerca de R$ 10 milhões na aquisição do direito de ocupação do terreno, que pertence à União. Conforme o relato do jogador, após recusar propostas de compra, a posse foi contestada na Justiça. “Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou o atleta nas redes sociais neste sábado (17).
A situação do local encontrava-se sob análise da Secretaria do Patrimônio da União, órgão apontado pelo coordenador do coletivo como moroso em suas deliberações. Nesse intervalo, o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar, teria tentado negociar com o atleta, obtendo recusa.
Aceleração no processo e defesa dos citados
Segundo o relato de Richarlison, representantes acionaram diretamente a SPU para buscar a regularização em favor do senador. “O pedido foi aceito em tempo recorde, Richarlison perdeu o imóvel e a ilha passou a pertencer a Flávio Bolsonaro”, afirma o coordenador do Derrubando Muros.
Registros da Justiça fluminense mostram que o processo foi extinto sem julgamento de mérito em outubro de 2025 devido à renúncia de uma das partes, alcançando o trânsito em julgado e o arquivamento em janeiro de 2026. Em manifestações passadas, o parlamentar refutou qualquer irregularidade e destacou apenas laços de amizade com Willer Tomaz. Por sua vez, o empresário responsável pela compra sustentou que o negócio foi legítimo, alegando o gasto de R$ 5 milhões para sanar dívidas fiscais do local e classificando os antigos ocupantes como invasores.
Investigações da Polícia Federal também apontam que o advogado envolvido no caso é alvo de apurações sobre fraudes previdenciárias e suspeitas de vazamento de documentos sigilosos de tribunais superiores e órgãos ministeriais.