Nova basílica em Trindade exige planejamento urbano e saneamento

A construção da Nova Basílica do Divino Pai Eterno tem potencial para ampliar o turismo religioso, movimentar o mercado imobiliário e estimular a geração de empregos em Trindade. Para que esses efeitos se converta em desenvolvimento econômico duradouro, porém, o município precisa antecipar investimentos em mobilidade, saneamento, infraestrutura e organização territorial, avalia a Associação dos Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO).

Visita técnica e andamento das obras

Representantes da ADU-GO, do Secovi Goiás e da Ademi-GO visitaram recentemente o canteiro de obras do templo. O projeto arquitetônico, que lembra um medalhão com uma cruz interna, foi dividido em setores pela VGVIX, empresa responsável pela execução. Há a expectativa de liberar partes concluídas para missas antes do término integral, dependendo de autorizações técnicas e de segurança.

“Trindade já tem um turismo religioso consolidado, e a Nova Basílica pode ampliar esse potencial. Isso abre oportunidades para diferentes segmentos da economia, mas o potencial, por si só, não se transforma automaticamente em crescimento”, afirmou Lorena Sousa, superintendente executiva da ADU-GO.

Desafios na mobilidade e na infraestrutura urbana

A revisão do Plano Diretor de Trindade é apontada pelas entidades como o momento ideal para preparar a cidade para o fluxo intenso de peregrinos. O município precisa aprimorar acessos, transporte público, estacionamentos e redes de saneamento básico para evitar congestionamentos e sobrecarga nos serviços públicos locais.

“É preciso garantir que a cidade consiga receber esse público sem comprometer a qualidade de vida dos moradores. A infraestrutura deve ser planejada para atender às novas demandas, com investimentos que permaneçam como benefícios para a população”, disse a superintendente.

Impacto no mercado imobiliário e valorização de áreas

O fluxo maior de visitantes desperta o interesse de investidores por hotéis, comércios e novos loteamentos. No entanto, especialistas alertam que a expansão deve priorizar regiões já urbanizadas para evitar o crescimento desordenado e a degradação ambiental.

“A valorização não precisa significar necessariamente a ampliação do perímetro urbano. É importante avaliar primeiro as áreas já urbanizadas ou que contam com infraestrutura, para aproveitar melhor a estrutura existente e evitar uma expansão desordenada”, afirmou ao Jornal Opção a representante da entidade.

Como a construção depende exclusivamente de doações financeiras dos fiéis, o ritmo dos trabalhos é variável. Por isso, a articulação entre Prefeitura, governo estadual, Igreja e setor privado é considerada indispensável para garantir um legado sustentável de empregos e renda para quem vive na região. “O crescimento precisa gerar benefícios para quem já vive em Trindade. O turismo pode se transformar em uma fonte permanente de empregos e renda, desde que haja condições para que os negócios locais participem desse processo”, concluiu Lorena.

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