O empresário Léo Slezynger, com ligações com a petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, amplamente conhecido como Lulinha e filho primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para fazer parte do conselho de uma organização não governamental focada em pautas ambientais. A articulação da proposta teria sido conduzida pela lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava publicamente como sócia de Lulinha.
Articulação para captação de recursos
A iniciativa tinha como principal finalidade direcionar verbas associadas ao aporte financeiro de US$ 500 milhões que foi anunciado em 2023 por Joe Biden, então presidente dos Estados Unidos, destinado ao Fundo Amazônia. Diálogos obtidos revelam que a lobista pressionou Slezynger para inserir o filho do chefe do Executivo na estrutura da instituição, sugerindo inclusive o pagamento de remuneração.
“Chama p o conselho. Paga um salário de conselheiro. Faz ele atuar para você. Você acha que o pai dele (o presidente Lula) vai querer beneficiar qual fundo? O que o filho é conselheiro e que recebe por isso. Funciona assim… toma lá, da cá”, escreveu Luchsinger.
Planejamento da ONG e nomes cotados
As tratativas ocorreram paralelamente à atuação conjunta de Luchsinger e Lulinha em demandas voltadas à Unigel, corporação que havia firmado um contrato de beneficiamento de gás natural junto à Petrobras. O acordo acabou anulado posteriormente pelo Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que classificou o acerto como prejudicial à estatal.
Após as conversas sobre o aporte norte-americano, Slezynger passou a negociar diretamente com Lulinha a criação de um fórum focado em sustentabilidade. Em maio de 2023, o empresário apresentou um organograma para a entidade Brasil Climate Change (BRACC) que incluía, além de Lulinha, nomes como Marina Silva e a própria lobista no conselho estratégico.
Investigações em andamento
Apesar do planejamento, Lulinha manifestou dúvidas sobre a legalidade de agentes governamentais integrarem uma estrutura privada. A inclusão dos nomes no planejamento não significa que todos tenham aceitado as funções ou integrado formalmente a organização.
Em julho de 2023, Slezynger enviou uma mensagem a Fábio Luís agradecendo por sua atuação junto ao presidente da República em pautas da Unigel. Atualmente, as suspeitas de possível tráfico de influência envolvendo a petroquímica são apuradas em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino, embora a apuração não represente um veredito de culpa.