Prefeito de Goiânia cobra dono de prédio abandonado e ameaça demolição

O tradicional Edifício Redondo da Araguaia, situado no Setor Central de Goiânia, tem um futuro indefinido nas mãos dos atuais donos. O prefeito Sandro Mabel (UB) determinou um ultimato aos proprietários para que deem uma utilidade à estrutura, sob o risco de demolição do local que permanece sem uso há décadas na capital.

Projeto imobiliário e planos de readequação

Adquirido por novos donos há pouco mais de um ano, o prédio possui um projeto arquitetônico em fase de elaboração para se transformar em um empreendimento de quitinetes voltadas para locação por aplicativo. A proposta de revitalização ainda precisa passar pela avaliação oficial da Prefeitura de Goiânia para receber o sinal verde.

Embora esteja abandonado há quarenta anos, um laudo técnico revelou que a base de concreto do edifício, erguida originalmente para abrigar consultórios médicos, continua em boas condições estruturais. “Não pode um prédio desses ficar 40 anos desse jeito e criando o tamanho do problema que nós temos aqui. Virou um hotel de moradores de rua”, declarou Mabel.

Programa Morar no Centro e outros alvos da gestão

A investida sobre o Redondo da Araguaia faz parte do programa Morar no Centro, iniciativa municipal que pretende atrair cerca de 3 mil famílias para residirem na área central. A estratégia exige melhorias urgentes na infraestrutura urbana e reforço na segurança pública da região histórica.

“O Morar no Centro, que é o programa que nós estamos fazendo, vai começar a trazer uma população grande para o Centro. São 3 mil famílias que virão para cá. Preciso encontrar o Centro em condições melhores do que ele está hoje”, afirmou o prefeito, destacando que outras construções ociosas também estão na mira de um levantamento oficial, como um antigo mercado atrás do Parthenon Center e a antiga casa da mãe de Pedro Ludovico Teixeira.

“Precisamos dar uma solução para esses prédios. Então, estamos apressando isso daqui”, acrescentou.

Segurança e impactos para os moradores

Antes da definição sobre o futuro comercial, os proprietários iniciaram a substituição de tapumes de madeira por um muro alto, portão e aparatos de segurança para barrar novas invasões. A medida alivia os comerciantes locais, que conviviam com a criminalidade associada ao abandono do edifício.

A empresária Silvia Cristina relatou episódios frequentes de violência nas imediações e destacou que a presença de usuários de drogas afugentava a clientela. Apesar dos transtornos, ela demonstra otimismo com as intervenções atuais: “Agora creio que o Centro, futuramente, vai voltar a ser um setor muito bom. Tenho essa impressão, fé nisso”.

Para conter a criminalidade, a Polícia Militar de Goiás (PMGO) intensificou o patrulhamento ostensivo na área. Contudo, a tenente Lara Cristina ressalta que o apoio dos donos de imóveis é indispensável para evitar que os suspeitos voltem a ocupar as instalações após as operações de saturação. “Esses indivíduos correm daqui, mas depois a gente tem que fazer sempre esse policiamento, mantendo a segurança do local para que eles não retornem”, afirmou.

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