O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, a decisão que determinou a remoção de publicações nas redes sociais que associam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) à Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), e a práticas criminosas. As postagens relacionavam o parlamentar a organizações criminosas, milícias, lavagem de dinheiro e “rachadinha”.
Entenda a decisão do tribunal
O julgamento realizado referendou uma liminar concedida anteriormente pela ministra Estela Aranha, relatora do caso. A magistrada havia determinado que as publicações fossem retiradas do ar em até 24 horas, além de proibir novas postagens com o mesmo material ou com conteúdo substancialmente idêntico.
Na avaliação da ministra, as postagens ultrapassaram os limites da crítica política ao atribuir ao candidato vínculos com organizações criminosas sem respaldo factual mínimo. A relatora também destacou que a liberdade de expressão na internet não é absoluta e que a divulgação de conteúdos que violem as normas eleitorais pode justificar a remoção, evitando comprometer a normalidade e a legitimidade das eleições.
Alvos da representação e investigações
A representação judicial foi apresentada pelo Diretório Nacional do Partido Liberal (PL) contra diversos nomes da política nacional, incluindo a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), o deputado federal Lindbergh Farias (PT), o deputado federal Guilherme Boulos (PSol) e o deputado federal Rogério Correia (PT).
Também figuram como alvos os responsáveis por diferentes perfis nas redes sociais, além da empresária Aurilene Monteiro, conhecida como “Gata Canhota”.
Detalhes da Operação Unha e Carne
A investigação da Polícia Federal apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, com possível envolvimento de agentes públicos. O caso teve desdobramentos importantes em dezembro de 2025 e na oitava fase da operação, deflagrada em outubro de 2026, quando a PF apontou uma movimentação superior a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos e cumpriu novas prisões de investigados com histórico de proximidade política com o parlamentar.
A defesa e os aliados do senador buscaram blindar a imagem do candidato diante das repercussões do caso no cenário eleitoral, enquanto a Corte Eleitoral reforçou o entendimento de que acusações sem base empírica e desprovidas de provas afetam diretamente a honra dos envolvidos no pleito.