A definição dos candidatos a vice-presidente na disputa ao Palácio do Planalto em 2026 reflete o esforço das campanhas para ampliar o eleitorado e dialogar com faixas específicas da população. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve Geraldo Alckmin (PSB) para consolidar pontes com o centro e com o mercado financeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) apostou em Alfredo Gaspar (PL), priorizando a pauta da segurança pública.
Quem são os candidatos a vice na disputa nacional
Geraldo Alckmin é médico anestesista, professor universitário e possui uma longa trajetória política. Ele governou o estado de São Paulo entre 2003 e 2006, além de ter exercido mandatos como prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual e federal. O socialista concorreu à Presidência da República em 2006 e 2018, antes de se tornar vice-presidente na chapa vitoriosa de Lula em 2022.
Do outro lado, Alfredo Gaspar é advogado, ex-promotor de Justiça e atualmente exerce mandato como deputado federal por Alagoas. Ele atuou como secretário de Segurança Pública do estado em 2015 e disputou a Prefeitura de Maceió em 2020. No cenário legislativo, destacou-se ao relatar a CPMI que investigou fraudes no INSS.
O papel estratégico de Geraldo Alckmin na campanha governista
Confirmado novamente como vice em março, Alckmin desempenha funções centrais para o governo. Além de comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ele liderou negociações internacionais e atuou fortemente na reta final da disputa para contestar propostas econômicas da oposição, utilizando comparações com o cenário da Argentina.
Para a cientista política Carolina Venuto, a aliança traz frutos importantes para a articulação política atual.
“Depois de décadas como adversários políticos, os dois construíram uma aliança que ajudou a aproximar Lula de setores mais ao centro e da direita, além de transmitir maior previsibilidade ao mercado. Alckmin reúne ampla experiência política, já governou São Paulo e tem interlocução com setores empresariais”, diz.
A escolha de Alfredo Gaspar pela oposição
Escolhido em agosto para compor a chapa de Flávio Bolsonaro, Gaspar chega com forte apelo junto ao eleitorado bolsonarista devido ao seu histórico no Ministério Público e na área de segurança. A definição ocorreu após debates internos na legenda sobre o perfil ideal para a composição majoritária.
O cientista político André Rosa avalia que a entrada do parlamentar alagoano cumpre metas geográficas e temáticas bem definidas.
“Ele já tem uma função um pouco diferente. Primeiro, levar a pauta da segurança pública bolsonarista. É uma pauta que já está sendo muito discutida desde o início de 2025. A escolha também visa aumentar a capilaridade do Flávio Bolsonaro na região Nordeste”, ressalta.
O peso real dos vices na decisão do eleitorado
Especialistas apontam que a influência dos vices costuma ser secundária na hora do voto popular, embora cumpram funções vitais na construção de alianças partidárias e na captação de segmentos específicos do eleitorado indeciso.
Para o cientista político Gustavo Ribeiro, o impacto direto na urna é restrito. “A maioria das pessoas vota no cabeça de chapa e mal sabe quem é o vice. Em 2022, Alckmin teve mais valor simbólico do que eleitoral”, aponta, acrescentando que a manutenção da aliança busca preservar a estabilidade.
Por fim, André Rosa reforça que as apostas cumprem propósitos distintos na corrida ao Planalto. “Alckmin é uma tentativa de maximizar a captura de eleitores em São Paulo, reunir os empresários da Faria Lima do setor produtivo na campanha do Lula e tentar fortalecer de certa forma o eleitor mais de centro-direita, que é justamente o que fica mais indeciso”, conclui.