A equipe do candidato Flávio Bolsonaro (PL) convocou o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para examinar os papéis referentes à quebra de sigilo bancário e fiscal disponibilizados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A escolha do ex-integrante do Ministério Público ocorreu em razão de sua experiência na Operação Lava-Jato, conforme informou a assessoria do postulante ao Palácio do Planalto.
Justificativa da escolha do ex-procurador
De acordo com o grupo político do PL, a bagagem técnica adquirida nas investigações anteriores credencia o parlamentar para a tarefa. “Deltan tem conhecimento sobre os métodos e engrenagens financeiras investigados na Operação Lava Jato, incluindo as teias que envolveram figuras centrais do PT e negócios ligados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha”, justifica a campanha do PL.
Além do próprio presidente, o compromisso de abertura de dados abrangeu a esposa Janja da Silva, o filho Fábio Luís e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola. A diretriz da campanha é que o ex-procurador realize um pente-fino nas informações disponibilizadas pelo chefe do Executivo federal. “Se Lula afirma não ter nada a esconder, a documentação precisa ser examinada com rigor, independência e sem concessões. O que importa não é o discurso, mas o que os documentos efetivamente demonstram”, diz.
Cobrança por reciprocidade na eleição
A movimentação ocorre após discursos públicos do petista realizados durante um evento político no Maranhão. Na ocasião, o atual mandatário afirmou que repassaria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as autorizações para devassa em suas contas e telefones, exigindo que o opositor adote a mesma postura antes do pleito de segundo turno, agendado para 25 de outubro.
Origem do embate político
“Quero ver se ele tem coragem de abrir o sigilo bancário e o sigilo telefônico dele. Ou seja, da pessoa física e da pessoa jurídica. Os meus advogados estão com esse pedido meu, exigindo que ele faça o mesmo. Quero ver se ele tem coragem de abrir a vida secreta dele”, declarou Lula.
Essa promessa surgiu na esteira de provocações ocorridas durante o debate televisionado pela Band na noite de 18 de outubro. Desde então, a disputa pela transparência financeira de ambos os lados tornou-se um dos eixos centrais do debate político nacional na reta final da corrida presidencial.