A trajetória de Ana Claudia Camargo é marcada pela superação e pelo empreendedorismo. Antes de comandar uma instituição de ensino de destaque na área médica, a biomédica precisou enfrentar uma rotina exaustiva para conseguir pagar a própria graduação em Goiânia, caminhando mais de dez quilômetros por dia e comercializando doces.
Da necessidade financeira à fundação do instituto
Filha de uma comerciante que produzia guloseimas para reforçar o orçamento familiar, Ana Claudia encontrou nas vendas de bombons a única alternativa para frequentar a faculdade de Biomedicina. A falta de recursos e a incerteza financeira eram constantes, mas o desejo de estudar e honrar o esforço dos pais falava mais alto.
“Minha primeira experiência como empreendedora não foi quando fundei a ITH, mas quando precisei encontrar uma maneira de continuar estudando”, afirma.
“Não existia um plano de negócios, mas a necessidade de encontrar uma solução”, resume.
“Eu vendia bombons para ter acesso à educação. Anos depois, construiria uma empresa justamente para oferecer educação a outras pessoas”, destaca.
O peso das perdas familiares na vocação
A escolha pela área da saúde veio acompanhada de episódios dolorosos. Aos 27 anos, Ana Claudia já havia perdido os pais: o pai foi vítima do acidente com o Césio-137 e a mãe lutava contra uma doença autoimune, ambos enfrentando diagnósticos tardios.
“Fiz Biomedicina para ressignificar minha história e ensinar aos profissionais de saúde aquilo que faltava, para que outras famílias não passassem pelo que eu vivi”, explica.
“Por trás de um profissional bem preparado existem pacientes, famílias e histórias que podem ser profundamente impactadas por suas decisões”, diz.
Expansão e impacto nacional na saúde
Após atuar por duas décadas como docente universitária, ela percebeu que os recém-formados careciam de habilidades práticas para o mercado. Em 2015, iniciou os primeiros passos do que hoje se transformou na ITH Educação, após testes bem-sucedidos com cursos livres nos finais de semana.
Sem apoio financeiro externo e utilizando apenas o próprio salário de professora, a fundadora assumiu todas as frentes do negócio. A instituição evoluiu de treinamentos rápidos para graduação e pós-graduação, ultrapassando a marca de 15 mil profissionais capacitados em várias regiões brasileiras.
“Empreende exige coragem para começar, mas ainda mais disciplina para continuar”, avalia.
“Na saúde, não basta acumular certificados, é preciso desenvolver conhecimento, habilidades e segurança para tomar decisões”, afirma.
“Crescer é quando o sonho deixa de depender apenas de você e passa a ser construído por pessoas que acreditam nele tanto quanto você”, afirma.
“Eu não imaginava que um dia estaria à frente de uma instituição de ensino de nível nacional”, diz.
“Não tenham vergonha de começar pequeno. Eu comecei vendendo bombons para pagar a faculdade”, conclui a empresária.