A três dias da votação do segundo turno que definirá o próximo presidente da República, as equipes jurídicas e políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira. O objetivo do movimento foi tratar das autorizações de quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico, em um dos episódios mais marcantes da reta final da campanha.
Passos dos dois lados no tribunal
A representação do candidato do PT protocolou no tribunal a autorização formal para atender integralmente à lista de exigências apresentada pelo adversário. Por outro lado, a equipe do candidato do PL informou à Corte que examinará detalhadamente todo o material disponibilizado antes de definir o próximo posicionamento sobre o caso.
Para cuidar da pauta na sede do tribunal, a legenda petista enviou uma comitiva composta pelo coordenador de campanha e líder do partido no Senado, Camilo Santana (PT-CE), pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Paulo Pereira (Empreendedorismo), além do presidente da sigla, Edinho Silva, e da deputada federal Camila Jara (PT-MS). Pelo lado opositor, o senador eleito pelo Paraná e ex-procurador Deltan Dallagnol (PL) assumiu a condução do tema, acompanhado pela jurista Maria Claudia Bucchianeri.
Condições impostas pela oposição
No documento enviado à Justiça Eleitoral, o parlamentar do PL condicionou a liberação de suas próprias informações ao cumprimento de exigências que envolvem tanto administrações anteriores do petista quanto a atual gestão no Palácio do Planalto.
Exigências apresentadas ao TSE
A lista de demandas inclui a autorização para devassar dados de assessores e ex-assessores, negócios e empreendimentos de familiares do presidente, além de relatórios detalhados sobre acessos à sede do governo federal. A relação também abrange o histórico de despesas com o cartão corporativo presidencial, agendas da primeira-dama e registros de interlocuções com lobistas e lideranças sindicais.
Toda essa movimentação teve início no último domingo, durante o debate presidencial transmitido pela TV Band. Na ocasião, após enfrentar acusações de corrupção, o petista lançou o desafio para que ambos abrissem seus dados publicamente. O processo ganhou tração nos dias seguintes com petições formais em tribunais superiores, culminando na troca de exigências aceitas pelo grupo governista na véspera do encerramento da campanha eleitoral de 2026.