A coligação que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigindo a cassação da chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL). A representação aponta supostas irregularidades financeiras ligadas ao caso conhecido como Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Acusações de propaganda disfarçada e repasses suspeitos
No texto entregue à Justiça Eleitoral, a coligação Brasil Pronto pra Mais classifica o longa-metragem como uma “peça de promoção política”. Os representantes da campanha governista sustentam que a candidatura do presidenciável do PL obteve vantagens indevidas no pleito por intermédio da estrutura do filme.
O processo detalha o envio de US$ 24 milhões — valor que gira em torno de R$ 134 milhões — repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, vinculado ao Banco Master, para viabilizar o projeto. A peça jurídica também menciona movimentações financeiras feitas pela Entre Investimentos e Participações direcionadas ao Havengate Development Fund, um fundo com sede em território norte-americano.
Três frentes de supostos benefícios eleitorais
De acordo com os argumentos apresentados, o capital investido pode ter favorecido a campanha de Flávio por meio de três caminhos distintos: o próprio filme com tom de propaganda, o custeio da infraestrutura política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e outras transações financeiras pendentes de esclarecimento.
Omissão nas contas e exigência de rigor da Justiça
A petição jurídica destaca a falta de transparência nas declarações financeiras oficiais apresentadas até o momento. “Nada disso consta da prestação de contas da campanha até este momento. O candidato que pediu o dinheiro lidera a disputa e enfrenta o segundo turno em 25 de outubro. A Justiça Eleitoral não pode descobrir depois da posse quem pagou a eleição”, aponta o documento protocolado no tribunal.
Conexões investigadas e pedidos de sanções severas
Além das suspeitas envolvendo a produção audiovisual, a representação aponta possíveis vínculos entre a empresa encarregada das transferências ao fundo internacional e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Diante das alegações, a coligação requer ao TSE não apenas a cassação da chapa, mas também a condenação de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro à inelegibilidade por um período de oito anos. A solicitação inclui ainda o compartilhamento de provas colhidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, quebra de sigilos fiscais e bancários, realização de perícias técnicas, rastreio de remessas internacionais e o encaminhamento do processo aos órgãos competentes para investigação de eventuais práticas criminosas.