Goiás lidera inadimplência de empresas no Centro-Oeste com 256 mil CNPJs

O estado de Goiás alcançou a marca de 256.291 empresas inadimplentes em agosto de 2026, consolidando o maior volume de CNPJs negativados em toda a região Centro-Oeste. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 22, por meio do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.

Panorama regional das dívidas corporativas

Considerando todo o Centro-Oeste, o levantamento apontou um total de 811.297 companhias com pendências financeiras no período avaliado. Esse montante se desdobra em 6.189.081 registros de débitos, que juntos alcançam a cifra de aproximadamente R$ 21,5 bilhões.

Atrás de Goiás, o Distrito Federal contabilizou 228.696 empresas nessa situação. Na sequência aparecem o Mato Grosso, com 188.134 registros negativos, e o Mato Grosso do Sul, fechando o grupo de estados da região.

Cenário nacional e impacto dos juros

Em âmbito nacional, o número de CNPJs negativados chegou a 9,3 milhões no oitavo mês do ano, o que representa um acréscimo de 14,3% em comparação com agosto de 2025. Foram somadas 68,2 milhões de dívidas, totalizando R$ 244,4 bilhões. Em média, cada empresa com restrição acumulou 7,4 contas em atraso, com débito médio de R$ 26.355,13 por CNPJ e valor unitário médio de R$ 3.583,96 por pendência.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os dados mostram que o ambiente financeiro continua pressionando as empresas, apesar da desaceleração do crescimento anual da inadimplência.

“A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos. Ao mesmo tempo, o número de empresas inadimplentes alcançou o recorde de 9,3 milhões, evidenciando que a redução dos juros ainda não alterou as condições financeiras enfrentadas pelas empresas”, afirma.

De acordo com a economista, o crédito continua caro e o fluxo de caixa permanece pressionado, sobretudo para os negócios de menor porte.

Setor de serviços e perfil dos devedores

No recorte por setores econômicos no país, o segmento de serviços concentrou 56% do total de empresas inadimplentes em agosto. O comércio respondeu por 32%, a indústria por 8%, e o setor primário representou 0,9%, enquanto outras áreas somaram 3,1%. Quanto à origem dos débitos, os serviços lideram com 31,7% dos registros, seguidos por bancos e cartões (19,7%), cooperativas (8,5%), serviços essenciais como água e energia (6,7%) e telefonia (6,2%).

Micro e pequenas empresas

As micro e pequenas empresas formam a maioria expressiva dos registros, respondendo por 8,8 milhões de CNPJs negativados. O grupo acumulou 61,4 milhões de dívidas, somando R$ 211 bilhões, com média de R$ 23.902,98 por empresa e cerca de sete contas em atraso.

Camila Abdelmalack afirma que empresas menores têm menos capacidade de absorver aumentos de custos e dificuldades de caixa. Segundo ela, a recuperação financeira exige planejamento, controle das despesas e reorganização dos compromissos.

O indicador da Serasa Experian considera inadimplente a organização que possui ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor.

Deixe um comentário