Salatiel Soares Correia: lembranças, amizade e paixão pela escrita

Há laços que sobrevivem ao tempo, à distância e até mesmo à ausência física. É com essa premissa que se recorda a trajetória de Salatiel Soares Correia, intelectual e escritor que faleceu recentemente, deixando um vazio profundo na memória daqueles que o acompanharam ao longo dos anos.

Da engenharia à paixão inegável pelas palavras

Embora tenha iniciado sua formação na área de exatas como engenheiro, Salatiel desenvolveu uma relação visceral com a literatura e o jornalismo. Seu envolvimento com a escrita era tratado como um sacerdócio. Cercado por livros e computadores, ele dominava debates sobre gestão pública e traduzia seu pensamento em artigos publicados no “Diário da Manhã”.

No início, sua linguagem acadêmica precisou ser lapidada para se adequar ao dinamismo da imprensa. Ao assimilar a máxima de McLuhan, “O meio é a mensagem”, ele rapidamente adaptou seu estilo e se transformou em um articulista de destaque, capaz de dialogar de igual para igual com autoridades e leitores.

Boemia, amizade e momentos de partilha

Além da dedicação intelectual, Salatiel era conhecido pelo apreço à convivência e à boemia goianiense. Nos encontros de bar com amigos, costumava assumir o papel de cicerone, recusando veementemente que dividissem a conta com ele. A troca de ideias era sempre acompanhada por boa comida, risadas e debates calorosos.

Sua generosidade e espírito agregador também marcavam o ambiente familiar de seus confidentes. Nas visitas à redação e nos almoços improvisados, ele era recebido como um verdadeiro irmão, integrando-se facilmente à dinâmica de acolhimento que caracterizava a família de seus colegas mais próximos.

O legado que permanece após a despedida

A partida de Salatiel motivou homenagens emocionantes, como a de sua amiga e parceira de longas datas, Sara Silva, que registrou seu pesar:

“Hoje soube que meu querido amigo Salatiel Soares Correia faleceu.

Salatiel era gentil, atencioso e um leitor apaixonado. Ao lembrar dele, gostaria de ter desacelerado e dedicado tempo a ler um livro ou um poema em sua companhia. Demorar em uma passagem, trocar ideias e deixar a conversa seguir sem olhar para o relógio.

Vivemos ocupados, e a vida passa depressa. Deixamos tanto para outro dia: uma visita, uma conversa, uma tarde tranquila com um amigo. Só quem esse amigo parte compreendemos o quanto esses momentos simples teriam sido preciosos.

Salatiel, gostaria que tivéssemos compartilhado mais momentos assim.

Que um dia possamos nos reencontrar, meu querido amigo, com tempo para sentar e conversar sobre seu livro favorito.

Vou me lembrar de levar um para você”.

A morte física, portanto, não é capaz de apagar a forte presença daqueles que marcaram a vida em comunidade. Através de seus textos, de suas reflexões e dos gestos de carinho que espalhou, Salatiel Soares Correia continua vivo na lembrança de todos que tiveram o privilégio de cruzar o seu caminho.

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