O sargento James Mota foi retirado do posto de secretário de Segurança Pública do município de Barra do Corda, no interior do Maranhão, depois do vazamento de mensagens de voz nas quais ele orienta a detenção de apoiadores do Partido dos Trabalhadores no segundo turno. A repercussão do caso provocou providências imediatas do governo estadual e representações na Justiça Eleitoral.
Conteúdo dos áudios enviados a policiais militares
As gravações foram compartilhadas pelo militar em um grupo restrito a integrantes da corporação policial. No material, o sargento sugere ações para intimidar os simpatizantes da agremiação partidária. Em um dos registros, James Mota afirma: “Quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade. Bora pra cima, bora prender”.
Em outra gravação enviada aos colegas de farda, o agora ex-secretário detalha a estratégia de coerção psicológica na cidade: “Vamos botar esses petistas no lugar deles. Vamos botar para prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo. Tem a forma de prender legalmente. Vamos prender quem tiver que prender esses vagabundos”.
Governo estadual determina apuração e oposição aciona o MPE
Após a divulgação das mensagens, o governador Carlos Brandão (MDB) ordenou o desligamento do policial de suas atribuições na administração municipal e determinou a instauração de um procedimento investigatório. Sobre o episódio, o governador declarou: “Qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é inaceitável e atenta contra a democracia e as liberdades individuais. Essa posição independe de ideologia política e vale para todos, de QUALQUER LADO”.
A conduta do agente também se tornou alvo no Judiciário. De acordo com o vice-governador Felipe Camarão (PT), a federação formada por PT, PCdoB e PV ingressou com uma notícia-crime junto ao Ministério Público Eleitoral para que as devidas medidas legais sejam adotadas contra o militar.
Prefeitura de Barra do Corda repudia conduta
A administração municipal de Barra do Corda confirmou o desligamento de James Mota até a conclusão do processo eleitoral e reprovou qualquer postura que ameace o exercício do sufrágio. Em comunicado oficial, a gestão municipal frisou que “a Prefeitura reafirma que todos os eleitores, independentemente do candidato de sua preferência, podem sair de casa com total tranquilidade para votar. O voto é livre, secreto e deve ser respeitado”.
O sargento não foi localizado para comentar o teor das gravações, restando resguardado o direito de manifestação por parte de sua defesa.