O recebimento do décimo terceiro salário funciona como uma excelente chance para colocar as contas em ordem, liquidar pendências financeiras e fazer aquisições planejadas. Contudo, sem traçar metas claras, essa verba extra corre o risco de evaporar em meio a diferentes gastos, deixando o trabalhador sem nenhuma retaguarda para encarar o início do próximo ano.
Estratégias para organizar as contas pendentes
Para quem carrega dívidas, o primeiro passo envolve examinar os custos fundamentais, a exemplo de moradia, alimentação e saúde, além de obrigações que possam gerar cortes em serviços essenciais. Na sequência, o consumidor precisa mapear os débitos com taxas de juros elevadas e procurar alternativas de acordo.
A planejadora financeira e educadora em finanças comportamentais Eliana Moraes aconselha usar o recurso para abater essas contas, sobretudo quando existe margem para conseguir abatimentos. No entanto, ela faz um alerta sobre destinar todo o montante para uma única negociação:
“Quando a pessoa entrega o dinheiro todo em um único acordo, ela pode precisar recorrer novamente ao cartão ou ao cheque especial para viver dali para frente”, explica a especialista.
A tomada de decisão precisa englobar tanto o saldo devedor quanto as despesas básicas exigidas para a manutenção da casa nos meses seguintes, visto que não existe um percentual fixo recomendado.
Avaliação cuidadosa para a compra de veículos
Aqueles que desejam adquirir carros, motos ou outros bens de alto custo devem analisar a possibilidade de postergar o investimento. Conforme a orientação profissional, acumular uma quantia maior antes da compra ajuda a diminuir o valor financiado ou até anula a necessidade de buscar crédito no mercado.
Outro ponto fundamental destacado pela profissional envolve olhar além do valor de aquisição, contabilizando taxas de seguro, manutenção, IPVA, combustíveis e vagas de estacionamento.
“Essa decisão precisa considerar quanto vai custar comprar e manter esse bem”, afirma Eliana Moraes.
Cuidados essenciais com o financiamento
Antes de fechar qualquer contrato de crédito, o consumidor deve verificar o Custo Efetivo Total (CET), indicador que engloba juros e demais tarifas da contratação. Além disso, a parcela mensal precisa caber na renda real sem comprometer a capacidade de absorver imprevistos financeiros.
“Como eu costumo dizer, parcela que cabe na renda nem sempre será uma parcela que vai caber na sua vida”, ressalta a educadora.
Importância da reserva de emergência
Para os cidadãos que já mantêm as contas equilibradas, o benefício natalino pode virar o alicerce para a criação de uma reserva financeira. A ausência de débitos não assegura estabilidade por si só, pois qualquer acontecimento imprevisto sem recursos disponíveis pode empurrar o indivíduo para o endividamento.
“Quem não tem reserva, qualquer imprevisto vira uma urgência”, diz Eliana.
A sugestão consiste em destinar uma fatia da verba para aplicações seguras e de alta liquidez, como o CDB que rende 100% do CDI, garantindo proteção contra perda de renda ou emergências médicas.
O encerramento do ano costuma vir acompanhado da armadilha de gastar toda a gratificação com presentes, viagens e compromissos de janeiro sem um cálculo prévio. Embora o descanso seja merecido após meses de trabalho, o equilíbrio financeiro garante paz após as festividades.
“Depois de trabalhar o ano inteiro, precisamos gastar tudo como recompensa. ‘Merecemos desfrutar.’ Merecemos, sim! Mas também merecemos tranquilidade depois das festas”, conclui a especialista.