WhatsApp vira arma central na disputa entre Lula e Flávio

A corrida pelo Palácio do Planalto no segundo turno das Eleições de 2026 transformou o WhatsApp em um dos principais palanques digitais. Sob a liderança de parlamentares influentes nas redes sociais, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) estruturaram canais de transmissão de grande alcance para orientar suas bases, desencadeando confrontos jurídicos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Disputa jurídica marca o “Exército do Lula”

Criado originalmente em abril pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal batizado de “Exército do Lula” viu sua adesão disparar logo após o término da primeira etapa da votação, quando o candidato do PL terminou na dianteira. Atualmente, o espaço já reúne uma comunidade com mais de 10 milhões de seguidores sob coordenação do parlamentar mineiro.

A expansão vertiginosa do canal, contudo, abriu uma frente de batalha no TSE. A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro denunciou o grupo no início de outubro por suposta difusão de desinformação e falta de registro. O caso gerou divergências entre ministros da Corte: enquanto Kássio Nunes Marques chegou a suspender a transmissão em duas ocasiões distintas, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, chegou a restabelecer a veiculação.

A página petista voltou a operar em definitivo após a campanha oficializar seu cadastro no tribunal. Em decisão recente, Nunes Marques também determinou que a empresa Meta envie relatórios técnicos sobre o funcionamento da ferramenta, buscando apurar eventual “atuação coordenada” de seus usuários.

Reação bolsonarista na “Tropa do Flávio”

Como contraponto à presença digital governista, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) fundou a “Tropa do Flávio” logo no dia seguinte ao primeiro turno. O canal ultrapassou a marca de 2,1 milhões de integrantes e é gerenciado em conjunto com o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO).

Ao contrário da ferramenta adversária, o canal bolsonarista não sofreu bloqueios judiciais, pois foi cadastrado formalmente pela assessoria de Flávio antes que o pedido de suspensão apresentado pela coligação de Lula fosse analisado pelos magistrados.

Ordens de remoção por conteúdos enganosos

Apesar de ter permanecido em atividade sem interrupções, o grupo administrado por Nikolas precisou excluir postagens por ordem do TSE. Entre os materiais vetados estava um vídeo antigo gravado no Chile, em que uma pessoa surgia consumindo entorpecentes, publicado com a falsa alegação de que o fato teria ocorrido em uma manifestação pró-Lula na Avenida Paulista.

O volume expressivo de membros nesses canais reflete a dependência mútua entre palanques tradicionais e mobilização digital de alta velocidade, estabelecendo o aplicativo de mensagens como peça decisiva na consolidação de narrativas até o fechamento das urnas.

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