A moradora de Inhumas que foi violentamente agredida pelo companheiro rejeitou a justificativa dada por ele de que estaria sob o controle de uma entidade espiritual no momento do ataque. Segundo Thais Soares, a alegação de possessão não passa de uma tentativa de escapar das consequências penais pela violência praticada. O casal havia retomado o relacionamento dois meses antes do crime, após um período de separação de seis meses, acumulando um histórico de quase oito anos de convivência marcada por conflitos.
Histórico de violência e dinâmica da noite do crime
A vítima relata que o comportamento agressivo não era inédito e que, ao longo do relacionamento, já havia enfrentado episódios frequentes de gritos, xingamentos e destruição de bens domésticos, como portas e janelas. Na noite do episódio, no entanto, a dinâmica havia sido pacífica até o retorno para a residência do casal. Eles participavam de uma confraternização familiar na casa da mãe dela, um ambiente descrito como tranquilo onde todos conversavam e riam, sem qualquer discussão prévia. A mulher, que se recuperava de uma cirurgia na vesícula, sequer estava consumindo bebidas alcoólicas.
Contestando de forma enfática a versão apresentada pelo agressor, a vítima pontuou a incoerência da suposta possessão:
“Tem como uma pessoa estar possuída e sair mandando áudio para os outros? Não. Nunca vi falar isso. Isso aí foi invenção pra ele fugir do que ele fez, da covardia que ele fez, porque isso aí não tem lógica. Nunca vi falar que entidade gosta de telefone”, desabafa a vítima.
Consequências físicas e busca por amparo social
Após a agressão, Thais buscou atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) apresentando lesões graves, incluindo inchaço severo nos dois olhos e cortes na parte interna da boca. O quadro de saúde exigiu tratamentos contínuos. A bochecha da vítima permaneceu inchada e com acúmulo de secreção, demandando o uso de antibióticos e procedimentos futuros de drenagem para a recuperação completa.
Deslocamento e rede de apoio
Diante da gravidade da situação, a mulher registrou boletim de ocorrência e obteve medidas protetivas de urgência. Forçada a deixar o próprio lar, ela e os filhos se mudaram para a residência de familiares. Sem poder trabalhar no momento, a vítima relatou dificuldades financeiras e o aguardo por respostas de programas de assistência social do estado, além de ter recorrido à Justiça para garantir o pagamento de pensão alimentícia por parte do agressor.
Sobre a rede de solidariedade e a ausência de suporte por parte do companheiro, Thais destacou:
“Eu tive ajuda de mulheres que se mobilizaram e fizeram uma vaquinha, e sou grata por isso. Mas, em relação aos meus filhos, ele nunca me ajudou financeiramente, nem a família dele. Ele tem responsabilidade com as crianças. Eu estou tentando me reorganizar, cuidar da saúde e garantir o que eles precisam, mas não é fácil fazer tudo isso depois do que aconteceu”, diz.
Após o crime, o suspeito, identificado como Bruno Lopes Rodrigues, teria enviado mensagens pedindo desculpas e afirmado que não estava no controle de suas ações. Informações preliminares indicam que ele foi visto na região de Caturaí, mas o paradeiro exato permanece incerto. A Polícia Civil segue conduzindo as investigações sobre o caso.