Apostas esportivas continuam ativas em Goiás apesar de proibição

Mesmo após a proibição nacional das apostas esportivas e cassinos on-line, apostadores em Goiás relatam que continuam conseguindo jogar, fazer depósitos e realizar saques normalmente em plataformas estrangeiras. Enquanto testes da reportagem comprovaram que as principais casas regulamentadas no país foram tiradas do ar, parte dos usuários migrou para serviços internacionais acessados por meio de comunidades e links compartilhados.

Relatos de apostadores e o uso de sites estrangeiros

Entrevistados que preferiram não se identificar afirmaram que a restrição não alterou suas rotinas de apostas. Um deles relatou o uso de sites russos e suecos sem a necessidade de recorrer a redes virtuais privadas. “Consegui apostar. Usei algumas plataformas de origem russa, algumas plataformas de origem sueca. Depositava, apostava, às vezes tinha alguma demora para o saque, mas caía normalmente”, declarou. Outro apostador mencionou o uso de serviços como 45X, 8888F e 1win, além de páginas de outras nacionalidades. “Consigo depositar e sacar normalmente, não mudou nada, não alterou nada”, afirmou, explicando que também divulga links de indicação para obter bônus financeiros.

Atuação de tipsters e monitoramento no Telegram

Canais e grupos no Telegram continuam registrando movimentações de tipsters que compartilham análises e palpites para ligas de basquete e futebol americano. Para contornar as restrições, alguns administradores adotam ressalvas em suas postagens. “Quem realmente aposta todo dia consegue passar alguns links”, comentou um dos entrevistados sobre a circulação de endereços alternativos. Enquanto alguns criadores de conteúdo tratam os palpites como um exercício mental para os períodos em que a atividade não está liberada, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ressalta que a avaliação sobre irregularidades considera o efeito prático do material divulgado.

Ações de bloqueio e fiscalização governamental

A Medida Provisória nº 1.394/2026 estabeleceu o encerramento das atividades das empresas autorizadas e determinou o combate rigoroso às plataformas ilegais. A Agência Nacional de Telecomunicações já encaminhou dezenas de milhares de ordens de bloqueio de domínios emitidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Órgãos federais também têm notificado lojas de aplicativos e plataformas de redes sociais para remover anúncios, softwares e canais associados à promoção irregular de jogos.

Diante do cerco tecnológico e das notificações expedidas contra milhares de endereços eletrônicos e grupos de mensagens, as autoridades federais reforçam que cidadãos podem registrar denúncias anônimas por meio da plataforma Fala.BR ou dos canais oficiais do Ministério Público para auxiliar no combate contínuo ao mercado clandestino.

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