Escritor haitiano-canadense é banido de prêmio literário após usar IA

O uso intensivo de inteligência artificial para a produção de textos levanta debates sobre autenticidade e ética na literatura contemporânea, especialmente após casos recentes de desqualificação em premiações importantes. Ferramentas de detecção tecnológica têm tornado mais simples a identificação de conteúdos gerados por computadores, enquanto o debate sobre a dependência dessas ferramentas entre profissionais da escrita cresce a cada dia.

O caso do romance investigado

O livro “C’Était Ça ou Mourir”, escrito por Thélyson Orélien, foi submetido a análises detalhadas utilizando o programa de detecção Pangram por Samuel Fitoussi, do jornal francês “Le Figaro”, e Pierre-Thomas Eckert, da universidade espanhola Villanueva. A verificação apontou resultados surpreendentes em diferentes trechos do material.

“Testamos vários trechos, de diferentes partes do manuscrito, e obtivemos quase sempre o mesmo resultado: 100% IA”, afirmam os donos da conta do WhatsApp, que inicialmente era anônima.

Como consequência das análises e de denúncias anteriores de plágio envolvendo um livro de 1960, a obra foi retirada da disputa do prêmio Goncourt, um dos mais importantes da França. Além disso, a editora canadense Boréal rompeu o contrato com o autor após uma auditoria técnica independente confirmar a utilização de inteligência artificial na elaboração do enredo.

A defesa do autor e a repercussão

Apesar da forte repercussão negativa e das evidências técnicas apresentadas, o escritor nega veementemente as acusações de que sua obra tenha sido produzida por sistemas automatizados.

“Nenhuma frase deste livro foi criada por uma máquina, tampouco o sentido ou a estrutura de uma história que vem de minhas estranhas”, afirma Thélyson Orélien.

O escritor ataca: “Há um desejo não apenas de atacar o livro, mas sobretudo a minha voz”.

O impacto nas vendas e novas tendências

Mesmo com toda a polêmica e a desclassificação, a obra obteve sucesso comercial expressivo, comercializando mais de 35 mil exemplares e conquistando outras premiações francesas, como Fnac, Méduse e Plume, antes que a fraude fosse amplamente divulgada e investigada.

O enredo do romance acompanha a jornada de um professor exilado do Haiti que atravessa diversos países até o Canadá. O caso de Thélyson Orélien soma-se a outras denúncias envolvendo autores estrangeiros, evidenciando uma transformação profunda na forma como a tecnologia passa a ser integrada — de maneira lícita ou ilícita — no mercado editorial global.

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