Roberta Luchsinger declara voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno

A empresária e lobista Roberta Luchsinger, que é alvo de investigações da Polícia Federal em inquéritos sobre corrupção e tráfico de influência, anunciou seu voto em Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência. O posicionamento foi revelado durante o segundo turno das eleições, marcando uma ruptura pública com o atual governo.

Mudança de posição política e o voto no PL

No primeiro pleito, a empresária havia anulado seu voto, mas optou por apoiar o candidato da oposição na etapa decisiva. “Votei em Flávio 22. Votei com muita consciência, votei com muita esperança de um país melhor, de um país com mais investimentos, um país mais moderno”, declarou em um vídeo divulgado nas redes sociais. Ela também argumentou que o país demanda mudanças na gestão e maior atenção à segurança pública.

Investigações da Polícia Federal e o escândalo do INSS

A trajetória recente da empresária cruza com apurações federais que analisam fraudes em aposentadorias. Os investigadores examinam sua proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador de descontos irregulares. Os registros indicam o repasse de R$ 1,5 milhão e uma suposta ponte com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de quem ela é amiga de longa data. A defesa sustenta que o montante integrava um negócio voltado para canabidiol, rejeitando qualquer laço com fraudes no órgão previdenciário.

O atrito com o Palácio do Planalto e a ameaça de delação

A relação com o atual governo azedou após o presidente rotular a empresária como “pilantra” e negar qualquer proximidade. Em resposta concedida a uma emissora de TV em meados de outubro, ela rechaçou a versão e sinalizou a intenção de firmar uma delação premiada envolvendo o chefe do Executivo e seu filho, além de alegar a participação de Lulinha em encontros com ministros. O governo rechaçou os relatos, e não há registro oficial de acordo de colaboração homologado até o momento.

O episódio sela uma guinada no histórico político da figura pública, que tentou uma cadeira de deputada estadual pela legenda petista em 2018 e apoiou a campanha vitoriosa em 2022. O caso ganhou repercussão nacional a ponto de ser utilizado pela oposição em debates televisivos para pressionar o Palácio do Planalto sobre os inquéritos em curso.

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