Parlamentares da oposição protocolaram e anunciaram iniciativas para afastar o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), neste domingo (25). A reação na política ocorreu após a decisão do magistrado de estender até as 19h o horário do segundo turno das eleições presidenciais, gerando forte debate institucional.
Iniciativas no Congresso e críticas ao STF
O senador Jorge Seif (PL-SC) informou por meio de uma rede social que orientou sua equipe a redigir uma representação contra o magistrado. A contestação gira em torno da alteração no período de votação após as 17h, momento em que diversas seções eleitorais pelo país já haviam encerrado o expediente.
Na mesma linha, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), que assumirá vaga no Senado em fevereiro de 2027, comunicou que apresentou a medida formalmente à revista Veja. O parlamentar argumentou que a atuação carecia de competência legal e voltou a criticar a atuação prévia de Zanin como defensor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da chegada à Corte.
Mobilização e articulação em Goiás
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), eleito senador por Goiás, também utilizou a plataforma X para externar o descontentamento e iniciar a busca por apoio político. O parlamentar declarou que buscará assinaturas de colegas contrários à medida adotada pelo tribunal.
Gayer e Van Hattem integram o grupo de parlamentares eleitos que fazem oposição aos ministros do STF. Um levantamento indica que a nova legislatura contará com pelo menos 49 nomes favoráveis a impedimentos na Corte, embora sejam necessários 54 votos entre os 81 senadores para aprovar uma condenação por crime de responsabilidade. Cabe exclusivamente à Presidência do Senado dar seguimento às denúncias protocoladas.
Motivação da medida na justiça eleitoral
A determinação contestada surgiu após solicitações das chapas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL), que relataram problemas logísticos no transporte público, além de transtornos causados por chuvas intensas e interrupções em estradas. Inicialmente, a ordem previa duas horas adicionais em território nacional, mas o magistrado posteriormente restringiu o alcance para locais onde a votação ainda não havia sido encerrada, orientação reforçada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
As contestações lideradas por parlamentares configuram pressões políticas e jurídicas, visto que não existe qualquer deliberação formal da Casa Legislativa que aponte prática de crime de responsabilidade por parte do magistrado.