A B3 interrompeu as negociações financeiras por 30 minutos nesta segunda-feira, 26, logo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República no domingo, 25. O recurso utilizado foi o circuit breaker, acionado para paralisar temporariamente as atividades diante de forte volatilidade e quedas acentuadas.
Impacto geral nos ativos da B3
A paralisação afetou não apenas o mercado acionário, mas parou também as negociações de fundos de índice (ETFs), recibos de ações de companhias estrangeiras (BDRs) e títulos de renda fixa privada. A última vez em que o mecanismo de segurança havia sido utilizado na praça financeira nacional ocorreu em março de 2020, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), em decorrência da crise global gerada pela pandemia de Covid-19.
Quedas drásticas em Nova York e alta do dólar
Horas antes da abertura oficial do pregão no Brasil, os ativos nacionais negociados na bolsa de Nova York já apresentavam fortes desvalorizações. O EWZ, principal fundo de índice voltado a ações brasileiras no exterior, despencou mais de 25%, refletindo a reação imediata dos investidores estrangeiros ao pleito.
Comportamento da moeda americana
O dólar comercial disparou logo nas primeiras horas do dia. Por volta das 10h37, a divisa norte-americana acumulava alta de 12%, sendo negociada a R$ 5,60. No decorrer da sessão, a moeda chegou a bater R$ 5,43, enquanto na sexta-feira, 23, havia fechado cotada a R$ 4,99, após registrar queda de 0,92%.
Desempenho das principais empresas
As perdas foram generalizadas entre as principais companhias brasileiras com recibos de ações (ADRs) negociados em solo norte-americano. A Petrobras recuou 20,68%, seguida pela Vale com baixa de 3,31% e pela Ambev, que registrou desvalorização de 16,06%. O setor bancário sofreu o impacto mais severo, com os papéis do Itaú despencando 25,39% e os do Bradesco caindo 30,22%.
O cenário de instabilidade econômica seguiu a vitória de Lula, que conquistou a reeleição ao obter 51,8% dos votos válidos no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), concretizando a primeira virada eleitoral na história da democracia brasileira.