De onde vieram os votos da virada de Lula nas eleições de 2026

A conquista da Presidência da República por Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 veio após uma reviravolta histórica. O petista encerrou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), mas recuperou terreno e fechou a disputa com 64,2 milhões de sufrágios contra 59,8 milhões do oponente. Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que o avanço decorreu de estratégias distintas, como a inversão de placar em Minas Gerais, a diminuição da margem opositora no Sudeste e a consolidação do eleitorado nordestino.

Crescimento em Goiás e expansão nacional

No segundo turno realizado no domingo (25), o chefe do Executivo obteve 10.362.248 a mais do que na etapa anterior. O candidato do PL também cresceu, somando 3.714.384 adesões adicionais. Com isso, a desvantagem inicial de cerca de 2,2 milhões virou uma dianteira de 4,4 milhões para o petista. Goiás destacou-se como a unidade federativa com o maior avanço em pontos percentuais para Lula, que saltou de 31,06% para 40,34% dos válidos, um acréscimo de 9,28 pontos. Em termos absolutos, foram 396.675 novos eleitores no território goiano, embora a maioria tenha ficado com o postulante do PL (59,66%). O Distrito Federal também registrou alta, passando de 38,11% para 45,72%.

A virada em Minas Gerais e o peso de São Paulo e Rio

Minas Gerais configurou-se como o único estado a mudar de mãos entre as votações. O representante do PL caiu de 48,24% para 49,59%, enquanto o petista subiu de 43,33% para 50,41%, transformando um déficit de quase 589 mil sufrágios em uma vitória por pouco mais de 102 mil de frente. Essa oscilação elevou de 12 para 13 o número de estados sob liderança de Lula no mapa nacional. Já em São Paulo, o presidente recolheu 2,6 milhões de novos votos, reduzindo a diferença para o adversário em aproximadamente 1,4 milhão. Dinâmica parecida ocorreu no Rio de Janeiro, onde a vantagem opositora encolheu de 1,27 milhão para pouco mais de 600 mil.

Força no Nordeste e inversões municipais

A região Nordeste manteve a hegemonia governista em todos os nove estados, injetando cerca de 2,95 milhões de apoios extras. A Bahia liderou a expansão absoluta, com o índice subindo de 66,17% para 71,31%. Pernambuco, Ceará e Piau também registraram saltos expressivos. Além do cenário estadual, o vencedor superou o segundo colocado em 211 municípios que haviam votado na oposição no primeiro turno, incluindo as capitais Rio de Janeiro e Macapá. Entre as cidades com reviravoltas marcantes estão Itabirito (MG) e Três Ranchos (GO).

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