Flávio Bolsonaro perde mandato e foro privilegiado após derrota para Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encerrará sua trajetória no Congresso Nacional em 31 de janeiro de 2027. A mudança ocorre após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado neste domingo, 25. Como optou por disputar o Executivo federal, o parlamentar não concorreu à renovação de sua cadeira no Legislativo.

Fim de um ciclo de 24 anos na política

Com o término da legislatura, o político deixará de ocupar cargos eletivos pela primeira vez desde 2003. Sua carreira institucional começou quando assumiu o primeiro de quatro mandatos consecutivos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2018, foi eleito para o Senado, onde atua desde fevereiro de 2019.

Impacto no foro privilegiado e investigações

A perda do mandato federal implica a cessação do foro por prerrogativa de função vinculado ao cargo. Contudo, essa alteração não resulta na remessa automática de todos os procedimentos para a primeira instância do Poder Judiciário.

Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que o foro pode ser preservado mesmo após o encerramento das funções públicas, desde que os atos investigados tenham ocorrido durante o exercício do mandato e guardem relação com ele. Dessa forma, a tramitação de cada processo será avaliada individualmente pela Justiça.

Inquéritos em andamento no STF

Entre os procedimentos sob análise da Suprema Corte está o inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação examina repasses que teriam sido realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a execução do projeto cinematográfico.

Adicionalmente, a Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo negócios de empresas financeiras e plataformas de apostas associadas ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador, além de possíveis conexões financeiras entre ambos.

A transição de instâncias ou a manutenção dos inquéritos no STF dependerá das diretrizes de competência aplicáveis a cada caso específico, marcando uma nova fase na situação jurídica e política do parlamentar.

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