O senador Wilder Morais, presidente do diretório do PL em Goiás, manifestou-se publicamente por meio das redes sociais para afirmar que sua legenda não aceita o resultado das urnas do último domingo (25). Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu a reeleição ao superar Flávio Bolsonaro (PL) com uma vantagem de 4,4 milhões de votos, consolidando 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário, o que representou 64.256.232 apoios para o petista frente a 59.826.041 do candidato liberal.
Questionamentos sobre o pleito e reação do PL
Na postagem, o parlamentar compartilhou um vídeo em que o candidato derrotado reforça a intenção de acionar a Justiça para anular o pleito. A contestação do grupo opositor baseia-se em críticas à extensão de duas horas no período de votação — medida que também havia sido solicitada pela própria campanha do candidato do PL — e a uma suposta expulsão de fiscais da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral, alegação prontamente desmentida pela Corte com registros em vídeo. Dados do próprio TSE apontam que 35.521 votos foram computados após as 17h em razão da ampliação horária.
Wilder Morais enfatizou a necessidade de esclarecimentos adicionais sobre o processo eleitoral. “Há dúvidas que exigem respostas claras e públicas. O brasileiro tem o direito de saber, e nós não vamos descansar, até que cada questionamento seja devidamente esclarecido”, declarou o senador goiano, acrescentando que o partido se recusa a adotar uma postura de normalidade diante do cenário. “Não vamos fingir que está tudo bem”, pontuou.
Restrições de viagem e pedido de apreensão de passaporte
Além da discussão sobre a validade do pleito, o cenário político desdobrou-se em medidas judiciais restritivas contra o candidato derrotado. Flávio afirmou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal para entregar seu passaporte e ser impedido de deixar o país, ordem que ele atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com base em declarações de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que sugerira em entrevista a saída do Brasil em caso de derrota. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? (…) Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa?”, questionou.
Ações protocoladas por parlamentares na PGR e no STF
Paralelamente, deputados federais de diferentes espectros políticos protocolaram representações junto à Procuradoria-Geral da República e ao STF exigindo a retenção do documento de viagem do senador. O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) gravou um vídeo detalhando a iniciativa. “Eu acabei de protocolar com os meus advogados uma representação à Procuradoria-Geral da República, uma tutela cautelar de urgência. Notícias de fatos e requerimento de providências judiciais imediatas. É a proibição de saída do país e entrega do passaporte, e diligências essenciais, contra o senhor Flávio Bolsonaro. Ele não vai fugir do país, porque o negão aqui não deixou. Não vai deixar. Miliciano vai ter que pagar aqui. Os seus esquemas com Vorcaro, você vai ter que pagar aqui.” A menção faz referência a investigações jornalísticas recentes que apontaram laços entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a quem teria solicitado mais de R$ 130 milhões para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse.
No mesmo sentido, a deputada Duda Salabert (PSOL-MG) utilizou uma rede social para defender medidas enérgicas contra o oposicionista. “Acabo de pedir a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro. O próximo passo desse bandido é tentar fugir do Brasil para não enfrentar os vários inquéritos em seu nome. Precisa ser preso logo. Não podemos permitir que ele se junte ao irmão nos EUA para tramar contra a soberania nacional.”
Com os desdobramentos jurídicos e políticos, a base de apoio do PL empenha-se em manter viva a contestação dos resultados nas urnas, enquanto o cenário institucional brasileiro lida com as repercussões das medidas cautelares impostas e os pedidos formais de investigação contra a chapa derrotada.