Crixás completa 73 anos com passado de ouro, garimpos e fuga inglesa

No Norte de Goiás, a cidade de Crixás celebra 73 anos de emancipação política carregando em sua trajetória episódios marcantes, como uma revolta de garimpeiros que expulsou uma companhia britânica em 1923, levando todo o ouro fundido da região três décadas antes da autonomia municipal.

O domínio britânico e a revolta de 1923

A exploração aurífera na área esteve sob o comando da empresa John Taylor & Sons, que comprou as terras onde funcionavam as minas Chapéu de Sol e Venâncio. Documentos da Prefeitura e do IBGE apontam que a companhia encerrou as operações de forma abrupta após conflitos com os trabalhadores locais, embora os registros oficiais não detalhem o tamanho da revolta ou o volume exato do metal precioso levado pelos estrangeiros.

A presença britânica estava ligada ao geólogo Albrecht Dietz, apelidado de “o Alemão”, responsável por identificar as jazidas no início do século XX. Com o fechamento da mineradora, Dietz perdeu sua clientela de suprimentos, foi à falência e acabou falecendo na cidade em 1927.

Raízes no século XVIII e o ciclo do ouro colonial

A relação do município com a extração mineral começou muito antes, em 1726, quando a bandeira de Bartolomeu Bueno, filho do Anhanguera, alcançou o território habitado por povos originários. O arraial inicial evoluiu para paróquia e impulsionou a economia colonial, contando com o trabalho forçado de 1.366 pessoas escravizadas registradas na região em 1736.

A autonomia administrativa só chegou séculos mais tarde, em 30 de outubro de 1953, por meio da Lei Estadual nº 850, quando o território foi desmembrado de Itapaci. A instalação oficial ocorreu no primeiro dia de 1954.

Mineração industrial e sustentabilidade contemporânea

A chegada da exploração moderna

A atividade mineradora se transformou com a chegada da escala industrial no final dos anos 1980, com a Mineração Serra Grande. Em dezembro de 2025, a Aura Minerals concluiu a compra da operação que pertencia à AngloGold Ashanti por um valor inicial de US$ 72,8 milhões.

O complexo atual conta com três minas subterrâneas, uma a céu aberto e uma planta de beneficiamento. Somente em 2024, a produção alcançou cerca de 80 mil onças de ouro, equivalente a 2,49 toneladas.

Compromissos ambientais e acordo milionário

Para manter as operações regulares, a Mineração Serra Grande firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás em dezembro de 2025. O pacto estipulou obrigações e compensações de R$ 39,5 milhões, além de prever multas de R$ 146 milhões em caso de descumprimento.

Combinando as origens no período colonial, o abandono das minas pelos ingleses e a moderna extração industrial, Crixás chega aos seus 73 anos consolidada como um dos principais polos da mineração em Goiás.

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