O avanço das dívidas dos consumidores goianos acendeu o sinal de alerta no setor comercial para a temporada de promoções de novembro de 2026. Mesmo projetando um volume de vendas maior que o do ano anterior, entidades do setor reforçam que a situação financeira das famílias exige prudência dos empresários locais.
Evolução da inadimplência no estado
Balanços da Serasa em Goiás revelam que o total de moradores negativados passou de 2,61 milhões em agosto de 2025 para 2,71 milhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 3,69%. Nesse intervalo, o volume total de débitos em aberto saltou de 9,91 milhões para 10,62 milhões, enquanto o montante devido saltou de R$ 17,2 bilhões para R$ 19,9 bilhões. Além disso, o débito médio por pessoa subiu de R$ 6.576,15 para R$ 7.344,01. “O avanço das dívidas pode limitar o poder de compra das famílias, que tendem a pesquisar preços e avaliar melhor as condições de pagamento antes de realizar novas compras”, destaca o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), Valdir Ribeiro. O dirigente também acrescenta: “Esse índice alto de inadimplência acende o sinal amarelo entre os lojistas. O sentimento é de cautela, com um otimismo moderado”.
O líder setorial pontua que a pressão sobre as contas domésticas muda a dinâmica de consumo na data promocional. “O aumento da inadimplência e, principalmente, do número de dívidas em atraso mostra que muitas famílias estão com o orçamento pressionado. Na Black Friday, o consumidor tende a pesquisar mais, priorizar itens essenciais e buscar condições de pagamento que caibam no bolso sem demandar grandes sacrifícios ao fim do mês”, frisa Valdir Ribeiro.
Comportamento de compra e o peso dos débitos bancários
Com o orçamento comprometido, a tendência é que os compradores foquem em produtos fundamentais e posterguem aquisições de alto valor. Contudo, artigos tradicionais do período — como eletrônicos, celulares, televisores, computadores, além de vestuário e perfumaria — ainda mantêm boas perspectivas de saída. Para contornar o cenário sem estimular o endividamento, o dirigente aponta que os comerciantes devem adotar tecnologias de análise financeira. “As ferramentas que analisam o perfil financeiro dos clientes estão cada vez mais assertivas, usando inteligência artificial para sugerir margens de crédito e de endividamento que garantam essa sustentabilidade nos pagamentos”, explica.
O impacto dos juros do setor financeiro
O levantamento da FCDL-GO aponta ainda que os compromissos bancários representam 61,98% de todas as pendências financeiras em atraso no território goiano. Sobre isso, o presidente alerta: “Esse tipo de dívida, por ser impulsionada por juros que se acumulam rapidamente, é uma armadilha perigosa no orçamento das famílias. E, sem dúvida, compromete o poder de consumo, resultando na queda nas vendas no varejo.”
Apesar do cenário desafiador para novembro, a expectativa para o encerramento do ano permanece favorável devido aos recursos extras do décimo terceiro salário. A projeção da entidade é superar o faturamento natalino de 2025, transformando a data de descontos no grande teste final para o comércio. “Neste ano, e considerando a injeção do 13º na economia, a perspectiva é que as vendas no varejo superem, em faturamento, a campanha de Natal de 2025”, ressalta Ribeiro. Por fim, o representante conclui: “Vamos aguardar a movimentação na Black Friday, que é o último grande ensaio do comércio antes do Natal e do Ano Novo.”