A viagem de Flávio Bolsonaro (PL) com destino aos Estados Unidos provocou forte irritação entre aliados e parlamentares nesta terça-feira (27/10). O senador, derrotado na disputa presidencial, tornou-se incomunicável após deixar o país, contrariando a promessa pública feita na véspera de que permaneceria no território nacional para encabeçar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Críticas internas e repercussão no Congresso
Reservadamente, políticos próximos ao clã Bolsonaro classificaram a decisão do parlamentar como precipitada. A queixa principal gira em torno da quebra de palavra, já que, no dia anterior, ele havia assegurado que lideraria a bancada oposicionista no parlamento, destacando a força obtida pelos aliados nas eleições legislativas.
Dentro do Congresso, deputados e senadores apontaram que a partida repentina prejudica a articulação do grupo. “É ruim, é ruim demais para todos nós aqui que precisamos de uma orientação”, desabafou um deputado. Outro parlamentar classificou a atitude como um obstáculo para a reestruturação da direita. Um senador do PL resumiu a situação ao afirmar que a decisão foi “burra”.
Impacto na liderança e investigações
Apesar do incômodo evidente, a avaliação nos bastidores é de que a bancada deverá adotar uma postura de respaldo oficial. “Nós, enquanto bancada, vamos ter de declarar apoio público, não fazer muitos questionamentos”, pontuou um senador, justificando que a direita ainda mantém uma relação de forte subordinação ao grupo político de Jair Bolsonaro.
Possível ascensão de Tarcísio de Freitas
O episódio também abriu margem para discussões sobre o futuro político do campo conservador. Para alguns integrantes da legenda, a repercussão negativa da viagem pode acelerar a busca por novos nomes. “Está nebuloso ainda, é cedo para falar isso. Mas o dado concreto é que isso pode fortalecer o entendimento de que Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] é um nome melhor”, avaliou um parlamentar.
A saída do senador ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a entrega dos passaportes e proibiu Flávio de deixar o país. Como o prazo se encerrou sem o cumprimento da ordem, a Polícia Federal cancelou os documentos do parlamentar. A partir de fevereiro de 2027, após o fim de seu mandato, ele ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em mais de duas décadas, enquanto enfrenta investigações sobre financiamento de produções audiovisuais e operações financeiras ligadas a um advogado aliado.