Uma gestante de 38 semanas entrou em trabalho de parto e precisou ser encaminhada para a sala de cirurgia nesta terça-feira, após aguardar doze dias por uma vaga em uma unidade de saúde especializada. Internada no Hospital das Clínicas em Goiânia desde o dia 15 de outubro, a paciente esperava a liberação de um leito para que a filha, diagnosticada com uma grave cardiopatia congênita, pudesse nascer com o suporte cardiológico adequado.
O diagnóstico e a busca por atendimento
A condição da bebê, chamada Aurora, foi descoberta durante um ultrassom de rotina quando a mãe completava 30 semanas de gestação. A família relatou que a descoberta alterou completamente a rotina doméstica e iniciou uma busca intensa por uma unidade hospitalar equipada com UTI neonatal cardíaca e cirurgiões pediátricos. Tentativas de viabilizar a transferência pela rede particular foram frustradas pela burocracia na obtenção de laudos médicos específicos exigidos para o processo.
Inicialmente, os trâmites buscaram vagas no Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento. Contudo, apesar da disponibilidade de leitos na unidade mencionada, o local não possuía a infraestrutura exigida para o tratamento da cardiopatia identificada. Posteriormente, órgãos de saúde estadual e municipal divergiram sobre os fluxos de regulação e a responsabilidade pelo encaminhamento da paciente para centros de referência fora de Goiás.
Posicionamento dos órgãos de saúde
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás declarou que o pedido de transferência enviado pelo município foi avaliado, mas a equipe médica do estado não indicou a interrupção imediata da gravidez. O órgão reforçou que o hospital onde a paciente estava internada possui capacidade para gerenciar gestações de alto risco e que novas demandas de regulação só devem ocorrer após o nascimento, caso haja necessidade de intervenções cirúrgicas de urgência.
Por sua vez, a administração municipal informou que articulava o Tratamento Fora do Domicílio em conjunto com o governo estadual para garantir a segurança no nascimento. Com a evolução do quadro clínico e o início do trabalho de parto, equipes médicas especializadas foram acionadas para avaliar os procedimentos necessários para o suporte à recém-nascida.