O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou nesta terça-feira, 27, a Operação Luz e Sombra com o objetivo de apurar denúncias de crimes sexuais supostamente cometidos pelo ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, situada no bairro Jardim Guanabara II, na capital goiana.
Mandados e medidas cautelares
Durante a ação, a força-tarefa cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em locais associados ao investigado, o que incluiu a própria sede da instituição religiosa. A Justiça concedeu autorização para a quebra de dados telemáticos e impôs restrições cautelares, exigindo que o suspeito compareça mensalmente ao juízo, além de proibi-lo de retornar à comunidade ou de integrar eventos organizados pela entidade em quaisquer outras localidades.
A força-tarefa responsável pela ofensiva é composta pela 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pelo Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal) e pelo Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).
Abuso de autoridade espiritual e novas vítimas
O inquérito teve início a partir da acusação formal feita por uma fiel da própria instituição e corre em regime de sigilo. Conforme os apontamentos do MPGO, há indícios de que o alvo utilizou sua influência na liderança religiosa e a fé das frequentadoras para constrangê-las a atos que configuram delitos contra a dignidade sexual, tais como a violação sexual mediante fraude.
As autoridades também examinam indícios de compartilhamento não autorizado de registros visuais íntimos de uma das mulheres, prática enquadrada no artigo 218-C do Código Penal. Apurações conduzidas pelo Navita indicam a possibilidade de existirem outras vítimas sob a mesma dinâmica. Paralelamente, existem suspeitas de que a vulnerabilidade social de beneficiários do projeto assistencial da entidade tenha sido explorada em troca de favores sexuais por mantimentos.
Afastamento e risco de novas ações
No mês de julho, uma assembleia geral extraordinária resultou na destituição do ex-dirigente do comando da instituição. Atualmente, o espaço físico permanece com portas fechadas temporariamente e sob gestão de uma nova administração.
Ainda de acordo com o órgão ministerial, surgiram relatos de que o investigado estaria atuando espiritualmente no município de Santa Helena de Goiás e articulando a fundação de um novo centro. O cenário elevou o alerta das autoridades quanto ao risco de novas abordagens a pessoas vulneráveis, mantendo o caso sob rigorosa apuração até a deliberação final da Justiça.