O Partido Liberal convocou uma reunião de emergência na sua sede, localizada no complexo Brasil 21, em Brasília, após a repercussão da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. O encontro foi articulado pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial do congressista. Grande parte dos integrantes da legenda foi pega de surpresa pela decisão do parlamentar de deixar o território brasileiro.
Avaliação interna e declarações na sede do partido
Ao chegar para o encontro de cúpula da legenda, o senador Efraim Filho (PL-PB) conversou com jornalistas e resumiu o objetivo da articulação: “Vamos reunir com Valdemar e entender todo o cenário.” Horas antes, o senador Rogério Marinho havia negado publicamente que o colega de partido tivesse saído do país.
Investigação do STF e ordem de entrega de passaportes
A movimentação do senador ocorre logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar na segunda-feira (26) a entrega dos passaportes de Flávio à Polícia Federal no prazo de 24 horas. O magistrado também impôs a proibição de saída do Brasil no âmbito de uma apuração que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o político e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam a prática de irregularidades.
Cancelamento de documentos e divergências sobre o trajeto
Como o prazo estipulado expirou na manhã desta terça-feira (27) sem a entrega dos papéis, a Polícia Federal cancelou os passaportes e informou que comunicaria a Justiça sobre o descumprimento. A corporação não registrou saída oficial do senador pelos postos migratórios regulares. Antes da confirmação da viagem, o site argentino Infobae apontou uma suposta travessia pela fronteira com destino a Puerto Iguazú, mas o governo argentino negou a existência de registros de entrada no país vizinho.
Aliados da família afirmaram que o governo americano tinha ciência da viagem e que o parlamentar avaliaria solicitar asilo político, embora não houvesse confirmação oficial. O empresário Simón Levy, apresentado como aliado de Donald Trump, declarou nas redes sociais que Flávio chegou em segurança aos EUA com auxílio do secretário de Estado americano, Marco Rubio, fato que tampouco teve confirmação oficial de Washington. A assessoria do senador não se manifestou, e a viagem aconteceu dias após a derrota de Flávio para Lula no segundo turno das eleições presidenciais.