O período pós-eleitoral em Orizona, município localizado no sudeste de Goiás, foi marcado pela circulação de conteúdos extremistas em redes sociais e aplicativos de troca de mensagens. A Polícia Civil abriu investigações para apurar denúncias que envolvem xenofobia contra nordestinos, além de iniciativas para mapear e boicotar comerciantes com base em seus posicionamentos políticos.
Denúncias de racismo e listas de boicote
De acordo com o delegado Kennet Andersson, a corporação recebeu uma ocorrência formal relacionada a ataques direcionados a nordestinos que vivem na cidade. “Nós recebemos uma denúncia a respeito de nordestinos que residiam em Orizona. Já estamos investigando a prática do crime de racismo”, afirmou ao Jornal Opção. A autoridade policial solicitou que novos registros e materiais sejam enviados para subsidiar possíveis desdobramentos nas investigações.
Capturas de tela obtidas revelam publicações que exigem a expulsão de migrantes da região e incitam a criação de listas com nomes de empresários locais associados à esquerda. Em uma das conversas, uma usuária propõe restringir o consumo comercial: “Acho justo que eles tenham apenas clientes da ESQUERDA”. A autora pretendia distribuir a relação de nomes de forma privada, prática que gerou apoio e adesão de outros participantes dispostos a promover o boicote financeiro.
Apologia à violência extrema e aumento de ocorrências
Outro registro que chamou a atenção das autoridades contém uma ameaça direta a apoiadores do Partido dos Trabalhadores. Um dos participantes de um grupo de mensagens escreveu: “Eu tô com tanto nojo de petista que, se eu pudesse colocar dentro de um galpão e fazer igual Hitler, eu fazia. Já tá passando da hora”. Questionado pela reportagem, o autor da mensagem, identificado como Lucas, limitou-se a dizer que “não gosta de pessoas de esquerda”.
Moradores e ex-moradores relatam que o clima de hostilidade escalou logo após o encerramento do pleito presidencial. O delegado Kennet Andersson destacou que houve um crescimento nos relatos de condutas semelhantes tanto em Orizona quanto em outras cidades sob sua jurisdição, abrangendo também ataques a professores.
A orientação oficial da Polícia Civil é para que as vítimas ou testemunhas compareçam presencialmente às delegacias para registrar boletins de ocorrência e entregar provas materiais, como capturas de tela e publicações. “É preciso que essas informações cheguem até nós para que possamos investigar”, concluiu o delegado, ressaltando a importância de verificar a autenticidade e o contexto das denúncias.