O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a proibição de contato entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. A ordem foi emitida na segunda-feira (26).
Investigação sobre apostas e passaporte retido
Ambos são alvos de um inquérito em curso na Suprema Corte que investiga a suposta prática de lavagem de dinheiro utilizando plataformas de apostas. O parlamentar nega enfaticamente as acusações apontadas pelos investigadores.
Na mesma ocasião, Moraes ordenou que a Polícia Federal recolhesse os passaportes do congressista e o proibisse de deixar o país. Em gravação publicada em sua rede social, o senador — que foi derrotado na disputa presidencial realizada no último domingo (25) — atribuiu a medida a uma manifestação pública de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Repercussão e declaração do senador
O ex-deputado havia sugerido em entrevista que o senador deveria deixar o território nacional caso saísse derrotado por Lula (PT) no pleito. Diante da investida policial, o político gravou um vídeo no Instagram criticando duramente a ordem judicial.
“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, declarou.
Evidências da Polícia Federal e defesa
As investigações da Polícia Federal apontam o encontro de mensagens de correio eletrônico indicando o registro do senador como “usuário master” em uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa controlada por Willer Tomaz. O achado decorreu da quebra de sigilo telemático do advogado.
Por sua vez, a defesa de Willer Tomaz refutou a informação de que o parlamentar figurasse como operador principal na referida conta. Como o senador detém foro especial, o material foi remetido para análise do STF.
Bloqueio bilionário e sanções econômicas
Além das restrições de trânsito e comunicação, o magistrado ordenou o congelamento de ativos financeiros do advogado até o limite de R$ 6 bilhões. O pacote de sanções incluiu ainda a quebra de sigilos bancários, fiscais e cambiais, a apreensão de seus documentos de viagem e a interrupção temporária das operações comerciais das empresas ligadas ao investigado.