Goiás registra onda de assédio eleitoral com listas de boicote e ameaças

Após o término do segundo turno das eleições presidenciais, redes sociais em Goiás passaram a ser tomadas por postagens que incentivam o boicote a empresas associadas à esquerda, além de listas que recomendam a empresários que evitem contratar eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No estado, o Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) registrou 15 denúncias de assédio eleitoral logo após o pleito realizado no domingo (25), somando-se a outras 42 que haviam sido formalizadas antes da votação.

O cenário das denúncias e o posicionamento nacional

Os dados foram repassados pelo MPT-GO, que destacou que a maioria absoluta das queixas permanece sob sigilo a pedido dos próprios denunciantes. O fluxo de registros apresentou alta expressiva ao longo do calendário eleitoral, visto que até 15 de agosto, véspera do início da campanha, havia apenas duas ocorrências, enquanto o ano de 2025 passou em branco. Em âmbito nacional, o cenário repetiu a tensão: o MPT contabilizou mais de 240 registros em menos de 24 horas após o encerramento da disputa. A eleição acabou, mas o assédio eleitoral não, afirmou o procurador-geral do Trabalho, Glaucio Araújo de Oliveira, em vídeo publicado.

Repercussão em Goiânia e Formosa

Na capital goiana, relações comerciais de diferentes segmentos passaram a integrar listas divulgadas em aplicativos de mensagens e perfis de influenciadores. A criadora de conteúdo Mayra Bittar compartilhou uma relação desse tipo e depois removeu a postagem, explicando em seus stories que agiu após pedidos de seguidores e pediu desculpas públicas após incluir por equívoco uma empresa de doces local. Em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, a influenciadora Lorena Gontijo também criticou uma iniciativa parecida ao ver seu próprio nome incluído na lista e defendeu a convivência democrática. Viver em uma democracia significa entender que tem pessoas que pensam diferente, defendem ideias diferentes e, ainda assim, elas merecem respeito, declarou.

Polêmica com profissionais de recursos humanos e saúde

O ambiente corporativo também gerou debates após a circulação de conteúdos envolvendo profissionais de RH. A psicóloga Mara Suassuna publicou um vídeo afirmando ter recebido contatos de empresários interessados em selecionar trabalhadores sob o critério de não possuírem simpatia pelo governo federal. A manifestação gerou pronta resposta do Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09), que emitiu nota de repúdio reforçando que a discriminação política é vedada pela Constituição Federal, pela OIT e pela legislação brasileira, informando que a conduta será apurada disciplinarmente.

Ações judiciais e orientações do MPT

No âmbito judicial, o MPT atuou em casos emblemáticos durante o período eleitoral, como a ação civil pública contra o Frigorífico Goiás e seu sócio-proprietário, Leandro Batista Nóbrega, após a promessa de transporte e estadia gratuita para apoiadores do atual presidente no dia da votação, o que motivou uma tutela de urgência do TRT-18 para evitar o afastamento de eleitores de seus domicílios sob pena de multa. A procuradora-chefe do MPT-GO, Milena Costa, alertou que a dispensa motivada por convicção política é ilegal e passível de anulação. Essa dispensa pode ser anulada pela Justiça do Trabalho — em ação coletiva ajuizada pelo MPT ou em ações individuais ajuizadas pelos próprios trabalhadores, explicou, detalhando que as vítimas podem buscar a reintegração ao cargo, pagamento em dobro do período e indenizações.

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