A Polícia Civil de Goiás realizou nesta quarta-feira, 28, a 19ª fase da Operação Destroyer com o propósito de desmantelar redes criminosas voltadas ao tráfico de entorpecentes no estado. Ao longo de suas etapas, a ofensiva já contabiliza mais de mil ordens judiciais cumpridas, mais de 400 prisões efetivadas e o bloqueio de aproximadamente R$ 500 milhões em patrimônio e valores.
Sufocamento financeiro das facções criminosas
De acordo com o guardião-geral da Polícia Civil de Goiás, André Ganga, a iniciativa representa a maior investida da instituição contra o crime organizado, visando atingir a base econômica das facções e coibir a atuação criminosa em todos os 246 municípios goianos. As diligências abrangeram localidades como Trindade, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Rialma, Faina, Goianira e São Luís de Montes Belos.
“São investidas aqui que estamos trazendo para o sufocamento financeiro dessas organizações”, afirmou Ganga, pontuando que as ações seguirão ativas até o término do ano e ajudam a garantir maior sensação de segurança para os moradores. “Isso traz uma tranquilidade, traz uma paz à sociedade goiana”, declarou o guardião-geral.
Uso de redes sociais e aplicativos de mensagens
A fase mais recente teve como alvo central uma facção com atuação em Trindade e região, que utilizava um aplicativo de mensagens para gerenciar a comercialização de drogas, ocultar entorpecentes durante incursões policiais e monitorar as autoridades. A investigação teve início no começo do ano a partir de perfis no Instagram que comercializavam substâncias ilícitas com códigos e simbologias, alcançando mais de 15 mil seguidores, incluindo menores de idade.
O delegado Tiago Escandalheiro Martinho, à frente do Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Trindade, destacou a complexidade do esquema. “Eles tinham um comportamento muito arquitetado para esconder o trabalho deles. Tivemos muita dificuldade de identificá-los”, afirmou.
Liderança foragida no Rio de Janeiro
Conforme apurado pelos investigadores, o grupo era gerido por um indivíduo originário de Goiás que atualmente se encontra no Rio de Janeiro. O suspeito dava ordens remotas para paralisar as atividades e esconder os produtos ilícitos sempre que havia indícios de patrulhamento.
“Se eles desconfiassem de qualquer movimentação atípica, seja da Polícia Civil, seja da Polícia Militar, havia a ordem do líder, que está foragido no Rio de Janeiro, para suspender e esconder os entorpecentes”, explicou o delegado Tiago Escandalheiro Martinho.
Nesta etapa, foram expedidos 36 mandados de prisão temporária e 35 de busca e apreensão, resultando em 26 prisões até o momento da entrevista. As equipes policiais seguem em diligências para capturar os demais foragidos e analisar os materiais apreendidos, o que poderá gerar novos desdobramentos judiciais.